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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Aras: forma não pode substituir verdade dos fatos

Equipe BR Político

O procurador-geral da República, Augusto Aras, defendeu em entrevista ao Estadão que questões ligadas à forma em um processo não podem substituir a verdade factual apurada, sob pena de se adentrar num terreno de insegurança jurídico típico de regimes em que vigora o arbítrio. Por isso, ele defende que o STF module sua decisão a respeito da ordem de manifestação de réus delatores e delatados em alegações finais da defesa, para que se aplique apenas em casos em que tenha havido prejuízo aferível.

O novo procurador-geral da República, Augusto Aras, na sede da Procuradoria, em Brasília

O novo procurador-geral da República, Augusto Aras, na sede da Procuradoria, em Brasília. Foto: Gabriela Biló/Estadão

“Não podem atingir a Lava Jato. Cada caso precisa ser apreciado porque o réu, o delatado, que é o último a falar, pode, em tese, apresentar motivos para afastar aquela suposta verdade constituída nos autos”, afirmou.

Aras também surpreendeu ao dizer que vê fundamento nas desconfianças de Jair Bolsonaro de que Adélio Bispo não agiu sozinho quando cometeu o atentado a faca contra ele em 6 de setembro do ano passado. “O uso de uma arma branca, a suspeita de copartícipes na multidão, a tentativa de confundir as apurações com a entrada de pessoas com o mesmo nome na Câmara, o surgimento de advogados que não foram contratados por alguém conhecido são elementos que precisam ser investigados”, afirmou, deixando claro que a iniciativa tem de partir dos advogados de Bolsonaro.