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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Aumentam chances de Moro no STF

Vera Magalhães

Jair Bolsonaro voltou a cogitar a possibilidade de indicar Sergio Moro na primeira cadeira no STF a ficar vaga em seu mandato, a do decano Celso de Mello, que se aposenta em novembro.

Moro voltou ao primeiro lugar na fila depois de Bolsonaro ameaçar tirar a segurança pública de sua pasta e ter de recuar porque o ministro deixou claro que não permaneceria no governo nessa circunstância. Bolsonaro se incomodara com a participação de seu ministro no Roda Viva, por considerar que ele foi pouco enfático em sua defesa e demonstrou apetite político.

Abrir mão do ministro agora significaria fomentar sua candidatura à Presidência, algo que pode ser fatal para o plano reeleitoral de Bolsonaro, como analisamos aqui no BRP na semana passada, quando a crise entre os dois se agravou.

Reportagem da Folha neste sábado mostra os bastidores da movimentação de Bolsonaro para indicar Moro e, assim, se livrar de dois problemas: o potencial candidato em 2022 e o ministro que resiste à sua intenção de interferir mais na Polícia Federal.

A novela da indicação ao STF faz parte do vaivém da relação entre Bolsonaro e Moro. O ainda presidente eleito acenou com a vaga ao ainda juiz para convencê-lo a deixar a carreira e ir para o governo. Depois, negou que tivesse assumido esse compromisso e passou a falar em nomear alguém “terrivelmente evangélico” ao Supremo.

Depois da ameaça de Bolsonaro de lhe tirar a segurança, Moro aumentou sua exposição nas redes sociais e na imprensa e, em entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan, deu sua declaração mais explícita até aqui de que pretende ser ministro da mais alta corte do País.