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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bairros de Macapá rebelados: ‘Não tem luz, não tem água’

Equipe BR Político

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A crise energética vivida pela população de Amapá chegou no seu sexto dia neste domingo, 8, com promessas não cumpridas do governo federal e repressão do governo estadual para controlar os protestos da população de alguns municípios do Estado, reporta o Estadão.

Por um lado, a Justiça Federal da 1ª Região determinou ontem, 7, que a empresa multinacional Isolux restabeleça completamente o fornecimento de energia elétrica no Estado em até três dias, ou seja, terça-feira, 10, sob multa de R$ 15 milhões. Por outro, como anunciado pelo governo federal ontem, a energia foi reestabelecida parcialmente durante seis horas, mas em menos de uma hora, o fornecimento caiu em algumas localidades, revoltando a população. A ação popular na Justiça foi aberta pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Na noite de sábado, 7, e madrugada de domingo, um protesto em Remédios II, no município de Santana, a 20 quilômetros de Macapá, foi reprimido pela tropa de choque do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do governador Waldez Góes (PDT). Os agentes dispersaram a manifestação, que bloqueou com fogo e pneus uma das vias de acesso à cidade, de cerca de 120 mil habitantes. Nos dias anteriores, houve manifestações menos tensas em São José, Pedrinhas e Muca. Todos são bairros de população de baixa renda na região sul de Macapá.

Manifestantes fecham rua no bairro Remedios 2, no municipio de Santana. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Os moradores de Remédios II afirmaram à reportagem do Estadão que não têm informações sobre os critérios do rodízio para escolha dos bairros que serão religados, nem sobre os períodos em que a energia estará disponível nas tomadas. “Estamos reivindicando porque não aguentamos mais. Não sabemos mais o que fazer. Estamos sem luz, sem internet, sem comunicação. Isso não é justo. Para uns tem (energia), para outros não tem”, disse a dona de casa Marta Lúcia Moraes, de 47. Não tem comunicação, dizia um. Não tem energia para refrigerar a carne cara, reclamava outro. Não tem água para tomar banho. Não tem água para limpar privadas, diziam.

O juiz federal plantonista João Bosco Costa Soares da Silva requisitou que o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Superintendência da Polícia Federal no Amapá instaurem “imediatamente procedimentos voltados a aferir, respectivamente, a legalidade na execução dos contratos celebrados pela Eletronorte tanto com a multinacional Isolux como com a empresa responsável pela fiscalização desse contrato, bem ainda, eventual existência de crime (doloso ou culposo) no evento que culminou com a interrupção de energia elétrica”.

Embora a ação tenha como um dos alvos a Isolux, a empresa entrou em recuperação judicial na Espanha e não existe mais. A concessão, formalmente chamada de Linhas de Macapá Transmissora de Energia (LMTE), pertencia à Isolux, mas no fim do ano passado a linha foi comprada pela Gemini Energy, que pertence a dois fundos de investimentos: a Starboard e a Perfin, diz a reportagem.

Resposta

A Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) informou no final da noite de sábado, 7, que o sistema de rodízio do fornecimento de energia começaria às 6h de domingo, 8, em Macapá, Santana, Tartarugalzinho, Amapá, Calçoene, Ferreira Gomes, Porto Grande e Serra do Navio. O fornecimento ocorrerá de forma intercalada no intervalo de seis em seis horas para que haja equilíbrio na distribuição de energia. Os horários de referência serão de 0h às 6h, 6h às 12h, 12h às 18h e 24h.

Para os casos de ocorrência de falta de energia e situações de falhas em pontos específicos da rede elétrica, a Companhia destaca que os consumidores devem fazer este encaminhamento para o Call Center, através do número 116.

O rodízio de energia não ocorrerá nas unidades que prestam serviços essenciais como hospitais, Centros Covid, unidades de pronto atendimento, bancos e empresas de telecomunicações. Nestes locais, está sendo garantido o fornecimento de energia 24 horas. O cronograma do rodízio pode ser lido aqui.

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