Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Barbosa: ‘Tabelar juros e impor tarifa única parece medida soviética’

Marcelo de Moraes

Para o ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa, a medida anunciada ontem pelo governo de fixar um limite máximo de 8% ao mês para juros do cheque especial representa tabelamento. Em postagens feitas no Twitter, Barbosa critica a decisão de estabelecer esse “tabelamento” dos juros ao mesmo tempo em que permite aos bancos cobrar uma nova tarifa de serviços para o cliente ter cheque especial acima de R$ 500.

“Como sou verdadeiramente liberal (no sentido clássico), acho ruim tabelamento de preço com imposição de tarifa. Se é para testar o produto, bastava permitir aos bancos criar o seguro de crédito, nos moldes propostos pelo BC, sem determinar preços”, escreveu Barbosa. “O ideal é deixar cada um escolher se quer cheque especial sem tarifa e com taxa de juros de X%. Ou se quer pagar tarifa Y por mês para ter cheque especial com taxa de juros de Z%. Sendo a taxa Z menor do que a X. E tudo determinado pelo mercado, pela concorrência, não pelo BC”, analisa.

“Tabelar juros e impor tarifa única para todos os consumidores parece medida soviética”‘ ironiza o ex-ministro. “É melhor deixar o consumidor escolher entre os produtos disponíveis, garantindo transparência de informação e concorrência”, diz.

Ex-ministro do governo petista de Dilma Rousseff, Barbosa não resistiu a fazer uma provocação política por causa da nova medida do cheque especial. “Minha primeira impressão, imagina se fosse no governo do PT”, ironiza.

Depois de avaliar tecnicamente a decisão, Barbosa faz nova ironia política. “Qual será a resposta de nossos neoliberais de jardim de infância? Não pergunto pelo conteúdo, pois serão contra a intervenção proposta pelo BC, com razão. Pergunto pelo tom, pois se o governo fosse outro, já estaríamos ouvindo os ataques virulentos de sempre”, escreveu.

Tudo o que sabemos sobre:

cheque especialNelson BarbosaBanco Central