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por Marcelo de Moraes

Barros reúne liga de negacionistas em comissão de covid-19 na Câmara

Equipe BR Político

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O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), reuniu médicos defensores da cloroquina, críticos da vacina contra o coronavírus e que minimizam a gravidade da doença em uma audiência da comissão externa que acompanha a covid-19 na Casa nesta quarta-feira, 28. O tema da sessão de hoje foi a “imunidade de rebanho”, a pedido do deputado.

O deputado Ricardo Barros (PP-PR) e o deputafo Luiz Antonio Teixeira Jr. (PP - RJ) durante a reunião da comissão

O deputado Ricardo Barros (PP-PR) e o deputafo Luiz Antonio Teixeira Jr. (PP – RJ) durante a reunião da comissão Foto: Gustavo Sales/Câmara dos Deputados

Além de falas contra a confiança na vacina como solução, a defesa do “isolamento vertical”, volta imediata total à normalidade e imunidade de rebanho da população como solução para acabar com a pandemia foram levantadas na comissão entre os médicos e parlamentares presentes.

Entre os participantes, esteve a médica Nise Yamaguchi, que defende o uso da cloroquina para o tratamento do coronavírus mesmo sem evidência científica e participou de reuniões do governo sobre o tema. Na comissão, agora, ela decidiu destacar os possíveis riscos de vacinas contra a doença e o fato de a eficácia das vacinas em estágio avançado de testes ainda não ter sido comprovada para embasar um discurso de que a vacina não é a principal solução.

No mesmo compasso, o médico Anthony Wong, diretor do centro de assistência toxicológica do Hospital das Clínicas, defendeu a “imunidade natural” no lugar da vacina. “É importante que a imunidade natural seja feita, porque sabemos que a imunidade dada pelas vacinas é inferior à dada pela doença”, disse. Outros especialistas que têm analisado o desenvolvimento das vacinas contra a covid-19, no entanto, como a microbiologista Natália Pasternak, têm ressaltado que as vacinas são desenhadas para provocar uma imunização melhor que a natural. 

Wong chegou a dizer que passamos por uma “panicodemia”. “Demonizar um vírus pequeno que não era mais importante do que um vírus da Influenza, que nunca foi feito um fechamento como foi feito até agora para um vírus que não merecia a atenção que deram”, disse.

O virologista Paolo Zanotto, que também defende a cloroquina para tratar da doença, condecorou os colegas no que chama de “guerra cultural”: “Temos ouvido a palavra ‘ciência’ ser usada de maneira completamente solta e sem sentido quase, quando na verdade a verdadeira ciência está sendo expressa aqui agora”, afirmou.