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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Barroso: ‘Esse debate não tem nada a ver com a opinião pública’

Equipe BR Político

O Supremo Tribunal Federal retoma na tarde de quinta, 24, o julgamento sobre a constitucionalidade das prisões após condenação em segunda instância. Nesta terça, o placar foi de 3 x 1. Os votos favoráveis ao atual entendimento de que o condenado deve ir preso após decisão de segundo grau vieram de Alexandre de Moraes, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso. Em sentido contrário, para permitir a prisão apenas depois do esgotamento de todos os recursos (o “trânsito em julgado”), se posicionou o relator, ministro Marco Aurélio Mello.

Ministro Luís Roberto Barroso durante julgamento sobre prisão em segunda instância no STF

Luís Roberto Barroso. Foto: Carlos Moura/SCO/STF

Em seu voto, Barroso tentou dissociar seu voto do clamor popular. O ministro já deixou claro que uma eventual mudança de entendimento da Corte poderia beneficiar criminosos do colarinho branco, o que tem sido reproduzido por militantes dessa mesma posição, especialmente, nas redes sociais. “Esse debate não tem nada a ver com a opinião pública. Essa é apenas uma das faces da intolerância, da inaceitação do outro, da obsessão pelas próprias convicções. Na outra face da intolerância, estão os que acham que o defendem o modelo antigo (contra a execução antecipada da pena) têm pacto com a impunidade. A crença de que quem pensa diferente de mim só pode estar a serviço de uma causa sórdida é uma forma primitiva de viver a vida. Gritos e ofensas não mudam opiniões, nem a realidade”, afirmou o ministro.