Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Barroso: ‘Sugerimos adiar as eleições por algumas semanas’

Equipe BR Político

Exclusivo para assinantes

Na avaliação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, a melhor alternativa para as eleições municipais deste ano é de que haja um adiamento de semanas no pleito por conta da pandemia do novo coronavírus. Em entrevista ao Estadão, neste domingo, 14, o ministro do STF afirma que “está chegando a hora de se ter uma decisão sobre isso”.

Roberto Barroso Foto: Roberto Jayme/Ascom TSE

Patrono do Brazil Forum UK, evento que começa na segunda-feira, 15, organizado pela comunidade de estudantes brasileiros no Reino Unido cujo tema este ano é “E agora, Brasil? Alternativas para os múltiplos desafios”, Barroso será o entrevistado do dia 10 de julho sobre a importância do combate às fake news e os desafios de se realizar eleições.

“Acho que está chegando a hora de se ter uma decisão sobre isso. Como isso foi encaminhado: eu me reuni por videoconferência com médicos de diferentes especialidades altamente respeitados nas suas áreas. Todos eles opinaram no sentido da conveniência de se adiarem as eleições por algumas semanas. Pela percepção que, possivelmente em setembro, a curva da doença já estaria decrescendo. Como a gente precisa programar isso com alguma antecedência, sugerimos adiar por algumas semanas. Mas a decisão é do Congresso. A sugestão do TSE é uma janela que vai de 15 de novembro até 20 de dezembro”, afirmou.

Ele destaca, no entanto, que essa é uma decisão de responsabilidade do Congresso. “Seria um prazo limite para o segundo turno, para que possamos dar posse até o dia 1º de janeiro. Portanto, eu transmiti essas informações dos médicos para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Eles nos pediram que reuníssemos os médicos numa videoconferência para reiterar a posição deles aos líderes dos partidos, o que está previsto para ser em breve. E aí, diante dessas informações, o Congresso deliberará”, disse.

Barroso citou ainda algumas possibilidades para dar mais segurança aos eleitores no dia do pleito. Entre as alternativas está a de estender em três horas o horário de votação. “A ideia de estender o horário é muito provável que seja encampada, fazermos possivelmente de 8h às 20h. Com isso, ganharíamos três horas. Tudo envolve logística. Quando você estende o prazo, as pessoas têm que trabalhar mais tempo, talvez ter mais uma refeição. Recomendarmos, darmos preferência a faixas etárias por horário para evitar aglomeração, também é uma ideia colocada. Eu já pedi para verificar a concentração por idade, para saber como dividir. Mas possivelmente as pessoas mais idosas votariam na primeira hora da manhã. Tradicionalmente há uma concentração nas primeiras horas e uma concentração próxima ao encerramento e muita dispersão durante o dia. Para evitar aglomerações, vamos tentar demarcar horários e recomendar fortemente que as pessoas sigam esses horários”.

O ministro ainda parece descartar por completo a possibilidade de que a eleição seja realizada em dois dias. Essa alternativa acarreta problemas de logística e grande gasto financeiro, acrescenta Barroso. “As eleições em dois dias tem dois problemas. O primeiro é que encarece muito ter mais uma dia de eleição, você teria que ter alimentação para 1,8 milhão mesários. E nós temos um convênio com as Forças Armadas relativo à guarda das urnas que precisaria renovar por mais um dia. Estamos falando de um custo que pode chegar a R$ 180 milhões, num momento em que o País não está com disponibilidade de recursos. O segundo problema é a segurança das urnas durante a noite. Talvez essa ideia seja mais difícil”, aponta.