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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bebbiano vê caminho para ‘suicídio político’ de Bolsonaro

Equipe BR Político

O ex-ministro Gustavo Bebbiano, o primeiro a ser quicado para fora do governo, mesmo tendo sido responsável por coordenar a campanha que levou Jair Bolsonaro à Presidência, avalia que se o chefe do Executivo não mudar seus métodos, acabará cometendo “suicídio político”. Desde que deixou a pasta, ele tem levado uma vida discreta, mas sem poupar o governo de críticas.

O ex-ministro Gustavo Bebbiano vê caminho para "suicídio político" do presidente Jair Bolsonaro

O ex-ministro Gustavo Bebbiano. Foto: Ernesto Rodrigues/Estadão

Convidado pelo Jornal de Brasília para analisar os números que apontam para a queda de popularidade de Bolsonaro apontada pelo Datafolha, Bebbiano afirma que o ex-chefe comporta-se como um piloto de avião tresloucado. Para ele, a estratégia agressiva de Bolsonaro é o erro que puxa a rápida diminuição em seu apoio junto aos eleitores menos fiéis.

“O presidente erra ao estabelecer a estratégia do confronto, do conflito constante. Campanha é uma coisa, governar é outra. Governar exige respeito à liturgia do cargo; exige moderação, sobriedade”, disse. E completa: “Pelo pouco tempo de governo, a lua de mel ainda era para estar vigente. Infelizmente, parece que o presidente gosta de produzir material contra si próprio.”

Segundo Bebianno, o presidente causa “perplexidade e insegurança à população” por demonstrar “um nível de instabilidade incompatível com a sua função”. Para ele, são esses os principais motivos que têm afastado Bolsonaro da expectativa do “grosso do eleitorado que o elegeu” porque “não queria mais o PT”, aponta.

No entanto, há também a perda de apoio por parte dos bolsonaristas mais fervorosos. “Talvez seja nesse ponto – das hesitações no combate à corrupção – que o governo perca mais apoio junto ao eleitorado mais ideológico, digamos assim, mais próximo e leal ao presidente”, avalia. E completa: “O presidente não pode tentar controlar os órgãos de investigação, tampouco aparelhar instituições que precisam de independência.”

E se foi eleito justamente pelo discurso antipetista, surpreende a todos quando Bolsonaro se aproxima da retórica usada pelo ex-presidente petista. “Em muitas oportunidades, o presidente tem mostrado um perfil bastante parecido com o do ex-presidente Lula. Digo isso à medida em que ele tem se vitimizado sobremaneira. Não aceita qualquer tipo de crítica e sempre se coloca na posição de perseguido. Tanto não é perseguido que foi eleito e está aí, exercendo o seu cargo.”