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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Benção’ de Bolsonaro é sonho de consumo de pré-candidatos pelo Brasil

Gustavo Zucchi

O “carimbo” de Jair Bolsonaro virou sonho de consumo de muitos pré-candidatos às prefeituras nas eleições deste ano. A “bênção” de um presidente que conseguiu quase 58 milhões de votos em 2018 é o empurrão que muitas candidaturas precisam para deslancharem. Mais do que isso, como o presidente provavelmente não terá conseguido formalizar seu partido, o Aliança Pelo Brasil, a tempo de concorrer no pleito municipal, é a chance até mesmo de filiados a outros partidos convencerem Bolsonaro de que são os melhores representantes dos ideais defendidos pela futura legenda.

Com isso, antes mesmo da pré-campanha começar, há uma disputa em várias cidades pelo título de “candidato do Bolsonaro”. Em São Paulo, por exemplo, a concorrência para receber o aval do presidente é grande. São ao menos cinco possíveis nomes próximos ao bolsonarismo que desejam a chance de concorrer na capital que deu 60,38% de votos ao então candidato do PSL.

O próprio Bolsonaro declarou que gostaria de ver o apresentador José Luiz Datena como seu nome de confiança na disputa pela maior cidade do País. Mas há futuros membros do Aliança, que estão abandonando o PSL, que também aparecem como possíveis concorrentes. Dentre eles, estão o deputado federal Luiz Philippe de Orléans e Bragança, o deputado estadual Gil Diniz (o “Carteiro Reaça”) e o chefe do gabinete do deputado Douglas Garcia (SP), Edson Salomão, que ganhou as manchetes por ser investigado por propagar fake news. Há ainda o deputado Marco Feliciano, expulso recentemente do Podemos e que tem sido uma das “pontas de lança” do bolsonarismo na Câmara dos Deputados.

O fato é que a palavra final sobre quem será candidato pelo partido será de Bolsonaro. As eleições municipais são vistas por aliados do presidente como de “importância fundamental” para consolidar ainda mais o movimento de direita defendido pelo Aliança. “Mesmo que o partido não esteja pronto a tempo de disputar o pleito, teremos candidatos a vereador e prefeitos, comprometidos com as nossas bandeiras e com nosso presidente Bolsonaro em algumas cidades estratégicas. Esses nomes e as cidades, obviamente, passarão pelo crivo do presidente Bolsonaro”, disse ao BRP o deputado Filipe Barros, uma das lideranças do novo partido e um dos mais ativos na busca pelas assinaturas necessárias para homologação da sigla pela Justiça Eleitoral.

Assim fica a dúvida até que ponto nomes de outros partidos terão capacidade de convencer Bolsonaro de que representam os “ideais” do Aliança mesmo sem a perspectiva de filiação. O nome mais emblemático nessa situação é o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), que sonha com a reeleição. Outro nome na disputa e que tem estado frequentemente com Bolsonaro é o deputado Otoni de Paula (PSC), que conta com a desvantagem de ser do mesmo partido do governador fluminense, Wilson Witzel, desafeto do presidente. O nome que seria plenamente “alinhado” com o Aliança seria de Hélio Lopes, deputado pelo Rio e amigo pessoal de Bolsonaro.

‘Fora de cogitação’
O que se tem certeza é que estão fora da lista de possíveis nomes apoiados pelo bolsonarismo os membros do PSL que ficaram ao lado do presidente Luciano Bivar na cisão da legenda. Nomes que entrariam fortalecidos na disputa por estarem na mesma legenda de Bolsonaro agora terão de encarar a oposição dos antigos aliados. É, por exemplo, a situação do ex-deputado Delegado Francischini, que deve disputar a prefeitura de Curitiba pelo partido. “O Aliança Pelo Brasil não apoiará a candidatura de Delegado Francischini a prefeito de Curitiba, da mesma forma como nenhum deputado federal leal ao presidente Bolsonaro o fará. Isso está fora de cogitação”, disse Filipe Barros.

Outros nomes como Delegado Pablo, que deve ser candidato em Manaus, e Araújo Gomes, possível nome do PSL para prefeitura de Florianópolis, devem ter o mesmo tratamento por parte dos bolsonaristas. Sem o apoio de seu cabo eleitoral mais popular, a legenda deve se reunir no começo de fevereiro para definir a estratégia. O que se sabe é que, sem o Aliança formalizado, Bivar deve tentar vender seus candidatos como sendo representantes do “único partido autêntico de direita”.

“O PSL, mais do que nunca, está determinado em fixar suas posições liberais, sendo na verdade um único partido autêntico de direita e fará tudo para empunhar essa bandeira nas próximas eleições municipais” disse Bivar. “Aqueles que estiverem conosco, daremos toda a logística possível para alcançar o sucesso eleitoral.”

Bolsonaro, por sua vez, já sinaliza que parte da estratégia para minar Bivar e seus candidatos será a recriminação do uso do fundo eleitoral. Como maior partido da Câmara, o PSL deve ter R$ 202 milhões para ser usado na eleição. Nas redes sociais, Bolsonaro já pediu para que “não se vote” em candidatos que utilizem do recurso em suas campanhas.