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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Boias não impedem avanço do óleo no Nordeste, diz Ibama

Equipe BR Político

O presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim, e a consultora ambiental da Petrobrás, Margareth Bilhalva, afirmaram que as boias de contenção instaladas em parte do litoral do Nordeste não impedem que a mancha de óleo continue se alastrando. O motivo é que o equipamento, cedido pela própria estatal, foi desenvolvido para conter o petróleo nacional, que tem características bem diferentes deste que polui a costa do País.

Boias de contenção para mancha de óleo instaladas no litoral do Nordeste

Boias de contenção para mancha de óleo. Foto: Divulgação/Agência Petrobras

“O fato é que, muitas vezes, esse óleo (de origem desconhecida) pode passar por baixo das barreiras”, declarou Margareth, em audiência pública realizada pela Comissão de Minas e Energia da Câmara nesta terça-feira, 22. Bim corroborou a fala da especialista. “Sei que há uma certa ansiedade para uma estratégia, mas não dá para barrar esta expansão do óleo”, disse.

Anteriormente, José Bertotti, secretário de Meio Ambiente de Pernambuco, discordou da inefetividade total e defendeu que o governo federal fornecesse as boias de contenção. “Se as barreiras não são 100% eficientes, elas podem ao menos minorar o problema”, afirmou ao Estadão.

Hoje faz 50 dias que o contaminante se espalha pelas praias nordestinas e 900 toneladas do composto já foram retiradas dos nove Estados da região, segundo a Marinha. O presidente do Ibama acrescentou que não há informação suficiente para afirmar se o vazamento do material cessou. “Não sabemos se o aparecimento das manchas de óleo está em uma ascendente ou em uma descendente. Logo, manifestações do tipo: ‘ah, está acabando’, ou ‘está começando’ não são fundadas em nenhuma base técnica”.

O avanço da substância foi comparado a um “bombardeio” contra o País pelo comandante da Marinha, almirante Ilques Barbosa Júnior, em entrevista ao Broadcast/Estadão. “Uma ameaça dessa magnitude não é a um governo. É ao Brasil”, prosseguiu o militar nesta terça. Barbosa reafirmou que o culpado ainda não foi identificado, mas está entre os navios que circularam na faixa de 300 a 500 quilômetros da costa leste de Sergipe. Uma das hipóteses trabalhadas pelas autoridade é de um navio fantasma, embarcação não registrada que navega com o sinalizador desligado.

Como você viu aqui no BRP, também nesta terça, ambientalistas e pescadores ocuparam a sede do Ibama em Salvador, acusando o Planalto de não ter acionado o Plano Nacional de Contingência (PNC) imediatamente após aparecimento das primeiras manchas. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, formalizou o plano apenas 41 dias após o contaminante surgir, como você também conferiu aqui.

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