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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonarismo entre clamor ao golpe e brigas internas

Vera Magalhães

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As últimas decisões do Supremo Tribunal Federal no inquérito que apura a organização e o financiamento de atos que pregaram a ruptura da ordem democrática com a presença e o apoio de Jair Bolsonaro levaram as hostes governistas a uma espécie de curto-circuito, que atinge o próprio presidente, ministros, assessores palacianos e se espraia para os seguidores fanáticos das redes sociais, numa rede de transmissão já conhecida.

O presidente Jair Bolsonaro em frente ao Palácio da Alvorada

O presidente Jair Bolsonaro em frente ao Palácio da Alvorada Foto: Gabriela Biló/Estadão

Bolsonaro, que começou a semana admitindo entregar a cabeça do ministro da Educação, Abraham Weintraub, na expectativa de obter refresco, contrapartida ou trégua do STF, voltou a subir o tom e a fazer ameaças nem tão veladas, pelas redes sociais, depois que a corte determinou a prisão de organizadores dos atos antidemocráticos e quebrou o sigilo de deputados e senadores aliados.

As postagens do presidente, cujo teor foi reforçado nesta quarta-feira, empolgaram os bolsonaristas. O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Jorge Oliveira, eterno candidato a uma cadeira no Supremo e que no fim de semana tinha condenado os ataques à corte com fogos de artifício, usou o Twitter para replicar a mensagem de Bolsonaro, acrescentando a ela o lema da campanha em letras garrafais: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Os sites bolsonaristas passaram a exaltar que Bolsonaro tenha dito que reagirá à escalada do “autoritarismo judiciário” no País.

O assessor especial da Presidência Filipe G. Martins, que adora usar as redes para mensagens de teor “misterioso” para os seguidores mais fanatizados, postou: “Tá na hora!”. As reações se dividiram entre os que ridicularizaram o cruzadismo de Sorocaba contido na postagem e os fanáticos que acorreram ao “chamado” se apresentando para o golpe iminente.

Mas não é só o aumento dos que ridicularizam o golpismo bolsolavista que mostra uma cizânia no cristal: os próprios seguidores mais vocais do bolsonarismo passam a cobrar posturas mais incisivas do presidente e de seus aliados, em tom bastante duro.

O blogueiro Allan dos Santos, alvo de duas buscas e apreensões da PF em poucas semanas, tem sido agressivo ao cobrar Bolsonaro que aja para protegê-lo.

Silvio Grimaldi, o mais diligente pupilo de Olavo de Carvalho, foi para cima da advogada de Bolsonaro, Karina Kufa, por ter dito em entrevista à CNN Brasil de que os atos contra o STF eram antidemocráticos. Chamou a Aliança pelo Brasil, partido que Bolsonaro tenta criar e do qual Kufa é dirigente, de “fuleiro”, e ameaçou contar “como a dona do Aliança enterrou o acordo que estava sendo construído” no PSL e “enfiou na cabeça do PR” que era possível criar uma sigla em poucas semanas.