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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaristas querem classificar movimentos como terroristas

Vera Magalhães

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O deputado bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ) apresentou projeto de lei que altera a Lei Antiterrorismo, de 2016,  para enquadrar os grupos “antifas” como organizações terroristas.

A proposta copia ideia lançada no domingo pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que após protestos por conta da morte do ex-segurança negro George Floyd por asfixia por um policial branco afirmou que o País designaria o grupo Antifa como terrorista.

O Antifa, contração de antifascista, é um agrupamento de ativistas em todo o mundo que surgiu em oposição às manifestações racistas em Charlottesville, Virgínia, em 2017. Eles organizam atos de rua e ações virtuais contra grupos que pregam a supremacia branca e governos por eles associados a práticas racistas e fascistas.

O projeto de Daniel Silveira se antecipou a Trump, pois, a despeito das declarações, o presidente dos EUA ainda não concretizou a intenção de declarar o Antifa uma organização terrorista. Na proposta, o deputado bolsonarista justifica a inclusão dos grupos antifas (que são de difícil categorização, pois dispersos, o que pode levar a que toda a oposição a Bolsonaro seja enquadrada como tal) como terrorista para “proporcionar às Polícias Militares, Polícias Judiciárias, ao Ministério Público e ao Poder Judiciário total poder de ação visando coibir tais atos, principalmente no momento em que o país ainda sofre com os efeitos da Pandemia da COVID 19”.

O projeto não fala nada em enquadrar grupos bolsonaristas, como os tais 300 da militante Sara Winter, na mesma lei pelas mesmas razões.

O deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, apoiou a iniciativa e lançou enquete nas redes sociais para manifestar adesão a ela.