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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaristas tentam manter influência em comissões mesmo brigando com o PSL

Marcelo de Moraes

Sem conseguir ainda os apoios necessários para formalizar a criação da Aliança Pelo Brasil, a ala bolsonarista que permanece no PSL quer manter sua influência na hora da divisão dos espaços que o partido tem direito na composição das comissões técnicas da Câmara. Apesar de ter implodido internamente e com Jair Bolsonaro já tendo se desfiliado do PSL, para todos os efeitos, o grupo bolsonarista segue filiado ao partido e quer ocupar cadeiras nas comissões mais influentes, inclusive indicando deputados do grupo até para presidir algumas delas. O principal alvo do grupo é comandar a Comissão de Finanças e Tributação.

Como o grupo bolsonarista ainda não se desfiliou, o PSL segue com 53 deputados, sendo a segunda maior bancada, ao lado do PT. O maior número se reúne no bloco parlamentar formado por PP, MDB e PTB, com 85 deputados. Assim, caberia ao PSL, em tese, ter o direito a fazer a segunda ou terceira escolha. Daí a preferência pela de Finanças, na qual os principais temas da Economia são obrigatoriamente discutidos, garantindo influência e prestígio para quem comandá-la.

Até aí, sonhar é de graça. O problema é que esse cenário somente se manterá enquanto uma liminar judicial garantir Eduardo Bolsonaro como líder da bancada do PSL. Até o fim do ano passado, a briga interna do partido fez com que ele e a deputada Joice Hasselmann (SP) se alternassem no posto enquanto a briga transcorria na Justiça. Como é o líder da bancada que faz as escolhas e indicações dos representantes para cada comissão, a função é mais do que estratégica.

Na semana passada, a direção do PSL, que tem o deputado federal Luciano Bivar (PE) como presidente nacional, anunciou mais punições internas com suspensão das atividades dos integrantes da ala bolsonarista na Câmara. Se a decisão valer, a liderança ficará novamente vaga, reabrindo o caminho para a indicação de Joice, se um acordo interno não for costurado para encontrar um nome consensual para as duas alas.

Como existe possibilidade real de as comissões só voltarem a funcionar depois do Carnaval ou até mesmo após 15 de março, ainda há muito tempo para que esse cenário se defina. Mas a ala bolsonarista vai tentar ocupar o máximo possível de vagas estratégicas. No ano passado, antes do racha interno, o PSL ficou com a mais importante comissão, a de Constituição e Justiça. Sua presidência ficou com o deputado Felipe Francischini (PR), que pertence à ala bivarista.

Além disso, Eduardo presidiu a Comissão de Relações Exteriores e Defesa, na qual alimentou seu sonho de ser um importante player na diplomacia, já que seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, chegou a indicá-lo para chefiar a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos.

Agora, os bolsonaristas também sonham em ter o controle da Comissão de Educação, área considerada vital para o grupo fazer sua política ideológica e também para tentar blindar o ministro Abraham Weintraub, que segue sob pressão por causa dos problemas em sua pasta. Mas esse objetivo enfrenta fortes resistências dos outros partidos na Câmara. No ano passado, a comissão foi presidida pelo tucano Pedro Cunha Lima (PB).

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