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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro acena para a velha a política, flerta com Centrão e anuncia 13º para o Bolsa Família

Equipe BR Político

Por Marcelo de Moraes*
Logo depois de ser eleito, Jair Bolsonaro deixou claro que mudaria a forma de fazer política no País e sepultaria o chamado presidencialismo de coalizão, no qual só se forma maioria no Congresso em troca da distribuição de cargos e recursos. Perto de completar 100 dias de governo e com sua articulação política inexpressiva, Bolsonaro parece ter visto a ficha cair. Satanizando o que chama de velha política, não formou uma base de apoio, não tem votos para aprovar projetos importantes, como a reforma da Previdência e, talvez, pior, não tem parlamentares que se disponham a defender o seu governo publicamente.

Por conta disso, pela primeira vez, iniciou uma rodada de conversas com os presidentes dos partidos – incluindo os do Centrão. Em todas as conversas, repetiu o tom: quer abrir um canal de diálogo e procurar agendas de interesse comum entre Planalto e Congresso. Bolsonaro negou que tenha oferecido cargos e disse que tratou da necessidade de aprovar a reforma da Previdência. “Nada foi tratado sobre cargos”, garantiu o presidente na transmissão ao vivo que fez no Facebook no início desta noite.

Os dirigentes partidários gostaram do tom adotado por Bolsonaro. Acham que ele começa a entender que sem fazer política seu governo não terá sucesso. Mas o problema é que essa discussão ainda não avançou para lugar nenhum. Sem fechar qualquer acordo, foi apenas sinalizada a ideia de criar um conselho político formado por representantes desses partidos.

A maior prova de que o presidente começou a entender que precisa fazer seu governo engrenar foi o anúncio durante a transmissão no Facebook dizendo que pagará o 13.º para os beneficiários do Bolsa Família. Com sua popularidade caindo, a promessa atinge em cheio a camada mais pobre da população e pode ajudar a reforçar positivamente sua imagem.

Se Bolsonaro decidiu acordar para a política, talvez devesse, agora, agir para blindar Paulo Guedes. O ministro da Economia acabou se expondo demais no longo e feroz confronto com os deputados de oposição durante sua exposição sobre a reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Praticamente sem apoio de deputados governistas, Guedes sofreu uma pancadaria na audiência e acabou explodindo depois que o deputado Zeca Dirceu (PT-PR), filho do ex-ministro José Dirceu, disse que ele se comportava como um “tigrão” para os pobres e como uma “tchutchuca” para os mais privilegiados. Guedes estourou, revidou o ataque, mas não conseguiu cumprir sua missão, que era virar votos a favor da reforma. Essas e outras informações estão na newsletter do BR18, que chega agora até você. Excelente leitura!

*Com Alexandra Martins

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