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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro ataca a Globo e Witzel

Equipe BR Político

Em uma transmissão ao vivo pelas redes sociais durante a madrugada em seu hotel em Riade, na Arábia Saudita, Jair Bolsonaro atacou a Rede Globo e o governador do Rio, Wilson Witzel, a quem atribuiu o vazamento de dados do inquérito que corre em segredo de Justiça e apura o assassinato da vereadora do Rio Marielle Franco. O motivo da revolta do presidente foi reportagem do Jornal Nacional exibida ontem, segundo a qual o motorista do carro que abordou Marielle esteve no condomínio em que Bolsonaro mora no Rio no dia do crime e deu o endereço do então deputado na portaria (casa 58).

“Não devo nada a ninguém. Não tenho o menor motivo para mandar matar quem quer que seja”, disse Bolsonaro, embora a reportagem não tenha feito nenhuma insinuação sobre sua participação no crime e tenha informado que ele estava em Brasília e registrou presença na Câmara em 14 de março de 2018, dia do crime e da visita de Elcio Queiroz a seu condomínio. O presidente disse no vídeo que só soube quem era Marielle Franco no dia em que a vereadora foi executada, e chamou os responsáveis pela reportagem da TV Globo de “patifes, canalhas”.

A reportagem se baseou em dois depoimentos de um porteiro do condomínio, que citou que pediu autorização na casa de Bolsonaro para a entrada de Elcio no condomínio horas antes do crime. Ele diz que foi o “seu Jair” quem autorizou a entrada, e afirmou que voltou a ligar na casa 58, onde vive Bolsonaro, depois que viu pelas câmeras de segurança que Elcio tomou o rumo da casa 65, onde morava o ex-policial Ronnie Lessa, preso sob a acusação de ser o autor dos disparos que mataram Marielle e o motorista Anderson Gomes.

A transmissão em vídeo de Bolsonaro durou mais de 20 minutos. De terno, segurando papeis, pondo e tirando os óculos, gesticulando sem parar e demonstrando grande indignação e nervosismo, o presidente acusou Witzel de pretender destruir sua família por ter pretensão de disputar as eleições de 2022. Falou sobre o caso de Flávio Bolsonaro e disse que tem outro filho sob a mira do Ministério Público do Rio.

Afirmou que a Globo tenta destruí-lo porque teria perdido verba de publicidade. “Se vocês tivessem o mínimo de decência, por saber que o processo corre em segredo de Justiça, não poderiam divulgar”, disse o presidente. “Eu não deveria perder a linha, sou presidente da República, mas confesso que estou no limite com vocês (Globo).”

A emissora divulgou nota em que lamenta as declarações de Bolsonaro. “[A reportagem] ressaltou, com ênfase e por apuração própria,  que as informações do porteiro se chocavam com um fato: a presença do então deputado Jair Bolsonaro em Brasília, naquele dia, com dois registros na lista de presença em votações. O depoimento do porteiro, com ou sem contradição, é importante, porque diz respeito a um fato que ocorreu com um dos principais acusados, no dia do crime.”

Witzel divulgou nota em que diz lamentar profundamente o que chamou de  “manifestação intempestiva do presidente” e disse que foi “atacado injustamente”.