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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro atrasa exoneração para Weintraub viajar com passaporte diplomático

Vera Magalhães

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No afã de proteger Abraham Weintraub e garantir ao ex-ministro da Educação uma sinecura no Banco Mundial e, ao mesmo tempo, uma narrativa de que é vítima de perseguição política, Jair Bolsonaro mais uma vez manobrou o Diário Oficial.

Se na saída de Maurício Valeixo da direção-geral da Polícia Federal o presidente mentiu sobre ele ter pedido demissão, quando na verdade foi demitido, e falsificou uma assinatura eletrônica de Sergio Moro, que nem foi avisado da demissão tarde da noite, agora o presidente segurou a exoneração de Abraham Weintraub do Ministério da Educação, que só foi publicada neste sábado, em edição extra do Diário Oficial, depois que o ex-ministro já está nos Estados Unidos.

Para viajar driblando a restrição a brasileiros imposta pelo governo norte-americano em razão do descontrole da pandemia do novo coronavírus, Weintraub fez uso do passaporte diplomático a que tinha direito como ministro, mas que teria de devolver uma vez exonerado.

E a família, que o ex-ministro diz que irá com ele aos Estados Unidos, como viajou? Sua mulher e seus filhos também dispõem de passaporte diplomático? Se não dispõem, como entraram sem serem admoestados por conta das restrições sanitárias?

É preciso ainda esclarecer se o Itamaraty atuou de alguma forma na entrada de Weintraub nos EUA, comunicando as autoridades norte-americanas e desembaraçando a imigração.

Por fim: uma vez que Weintraub não é mais funcionário do governo do Brasil e ainda não é diretor do Banco Mundial, designação que não foi formalizada e, mesmo depois de feita, ainda precisará de chancela de oito países: qual o visto de que dispõe o ex-ministro e qual a data que apresentou para seu retorno ao Brasil?