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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro briga com o termômetro

Equipe BR Político

Em sua coluna no Estadão nesta quinta-feira, William Waack fala sobre a capacidade do governo Jair Bolsonaro de fornecer elementos para seus opositores o criticarem. Cita a mais recente crítica feita pelo presidente aos dados fornecidos pelo Inpe, obtidos a partir de satélites, e a compara a uma disposição para “brigar com o termômetro ou com o barômetro”. “O material elaborado pelo Inpe é o resultado de considerável esforço científico nacional e internacional em entender as dimensões da questão – e se esse material indica que o desmatamento persiste em proporções preocupantes, o ponto central é a incapacidade demonstrada pelo Estado brasileiro ao longo de décadas de fazer valer suas próprias leis”, escreve.

Ele diz que Bolsonaro segue preso a uma ideia que cultiva há muito tempo, a de que ONGs internacionais com interesses escusos tentam impor sua agenda ao Brasil, em perceber que existe internamente uma disposição a considerar agronegócio e preservação inconciliáveis. “É secundário se os fatos objetivos da realidade suportam essa percepção bastante difundida no Brasil. Em alguns pontos essenciais, não suportam – ao contrário. Mas o choque de poderosas narrativas, como são as da relação entre meio ambiente e agronegócio, se dá no palco da política, no qual o grande determinante dos “fatos” são as percepções. Seria tão mais fácil se o problema fossem apenas os xiitas.”