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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro busca consolação para Weintraub e quer ‘reciprocidade’ do Supremo

Vera Magalhães

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Por incrível que possa parecer, é mais custoso para Jair Bolsonaro demitir Abraham Weintraub que Luiz Mandetta, Sérgio Moro ou um general como Carlos Alberto Santos Cruz. Por quê? Porque o ministro da Educação, a despeito de seus péssimos préstimos à educação do País, seguiu o receituário prescrito pelo presidente à risca. Vejamos:

  1. É fiel à cartilha de Olavo de Carvalho;
  2. É próximo aos filhos de Bolsonaro
  3. Perseguiu a esquerda em sua pasta;
  4. Pregou a prisão de “vagabundos”, a começar pelos 11 ministros do STF;
  5. Inventou fake news adoidado;
  6. Usou as redes sociais para balbúrdia;
  7. Defendeu o governo quando outros ministros ficaram calados;
  8. Se aproximou dos radicais bolsolavistas, com direito a sair carregado nos braços dos malucos depois de (não) depor no inquérito que sofre no STF.

Eis um currículo invejável para quem quiser se manter como ministro vitalício do bolsonarismo.

O presidente Jair Bolsonaro com o ministro da Educação, Abraham Weintraub

O presidente Jair Bolsonaro com o ministro da Educação, Abraham Weintraub Foto: Dida Sampaio/Estadão

Mas Bolsonaro está sendo instado pelos militares e pelos poucos outros integrantes de alguma ala ainda razoável do governo a entregar a cabeça de Weintraub como aceno ao Supremo Tribunal Federal.

Ainda hesitante e pesaroso, o presidente diz aos emissários que sabe que precisa se livrar de Weintraub, mas:

  1. Quer que o STF “mande um sinal de lá também”, ou seja, imagina que a demissão do titular da Educação deva receber alguma “contrapartida” do Supremo, seja no arquivamento do inquérito das fake news (o que não vai acontecer) ou no relaxamento de alguma outra medida considerada “abusiva” contra o governo.
  2. Quer arrumar um prêmio de consolação para o ministro.

Dificilmente o STF fará algum aceno em resposta. E o cargo de consolação esbarra no fato de que Weintraub acha que criou uma claque própria, não quer sair de onde está e não aceitará qualquer compensação.

Já foram cogitadas saídas como uma embaixada ou a diretoria de algum banco público, como o do Nordeste ou da Amazônia. Não nos esqueçamos: Weintraub é economista…

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