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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro comemora até 10 milhões de testes, mas é suficiente?

Gustavo Zucchi

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Pela manhã deste domingo, o presidente Jair Bolsonaro foi às redes sociais comemorar a notícia de que o Brasil pode adquirir até 10 milhões de teste rápidos para identificar o coronavírus. “Cinco milhões enviados para todos os Estados ainda em março”, disse o atual ocupante do Palácio do Planalto. O questionamento que fica é se é suficiente ante a recomendação da OMS. Na última semana, a organização avisou que o aconselhável é “testar, testar, testar”. Por aqui, o Ministério da Saúde explicou que os testes estarão restritos aos casos mais graves, que serão atendidos na rede pública. Portanto, assintomáticos que tiveram contato com pacientes reconhecidamente doentes continuarão no escuro sobre seu real estado de saúde. Diferente do que foi feito com toda a comitiva presidencial, por exemplo.

Como mostra artigo escrito pelo biólogo Fernando Reinach no Estadão, os países que melhor estão se saindo no combate ao coronavírus promovem uma grande quantidade de exames em relação ao número de sua população e de infectados. “Se vale para o presidente e sua comitiva, tem de valer para qualquer brasileiro. Uma pessoa está com febre e sintomas de coronavírus: testa. Pessoas que não estão com sintomas mas tiveram contato: teste neles. Tem febre: teste. É assim hoje na China, em Hong Kong e em Cingapura”, disse.

“Montar um sistema robusto de testes é difícil, caro (cada teste custa cerca de R$ 100) e logisticamente complicado, mas se o governo está pedindo sacrifícios enormes da população não devemos esperar dele nada menos que um esforço monumental, sobre-humano, ininterrupto e infatigável para aumentar o número de testes. E nisso nenhuma desculpa é aceitável.”

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