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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro consultou Toffoli para contrariar Moro

Vera Magalhães

Jair Bolsonaro consultou o presidente do Supremo Tribunal Federal, José Antonio Dias Toffoli, antes de sancionar a criação do juiz de garantias no âmbito da lei anticrime, o que contrariou pedido do ministro da Justiça, Sérgio Moro, que pedira o veto desse dispositivo. A informação sobre a consulta prévia é do Estadão.

O próprio Toffoli disse ao jornal que deu aval à decisão, dizendo que a implementação do sistema em que um juiz comanda a fase de instrução do processo e outro profere a sentença era “factível”.

Não é a primeira situação em que Bolsonaro consulta Toffoli, nem o único sinal de aproximação do presidente com o ministro, outrora a encarnação das críticas de seu grupo político às nomeações feitas pelos governos do PT para a Corte. Toffoli foi responsável por conceder liminar que freou por quatro meses as investigações sobre o gabinete de Flávio Bolsonaro, filho do presidente.

Nos vetos, também mais modestos do que indicava Moro, que fez à lei de abuso de autoridade, o presidente também se aconselhou com Toffoli.

O ministro, por seu turno, tem sido elogioso à condução de algumas áreas do governo e disse não ver riscos à democracia em ações de Bolsonaro.

Diante da saraivada de críticas que vem recebendo pela sanção ao juiz de garantias, que agradou setores da esquerda, Bolsonaro voltou a se defender no Twitter na noite de sexta-feira dizendo que consultou pessoas mais experientes que ele.