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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro culpa decano: ‘O criminoso não é Weintraub, não é Salles’

Equipe BR Político

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O presidente Jair Bolsonaro inferiu nesta quinta, 28, que o ministro Celso de Mello, do STF, cometeu crime ao levantar o sigilo do vídeo de reunião ministerial do dia 22 de abril usado no inquérito aberto na Suprema Corte sobre eventual interferência política do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal. “O criminoso não é (o ministro da Educação Abraham) Weintraub, não é (o ministro do Meio Ambiente, Ricardo) Salles, não é nenhum de nós. A responsabilidade é de quem suspendeu o sigilo de uma sessão cujo vídeo foi chancelado como secreto”, declarou em discurso inflamado na porta do Palácio da Alvorada.

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro Foto: Gabriela Biló/Estadão

“A responsabilidade do que se tornou público não é de nenhum ministro (de Estado), é do ministro Celso de Mello. Ele é o responsável. Peço, pelo amor de Deus, não prossiga com esse tipo de inquérito”, acrescentou nesta manhã, chegando ao limite, como no vídeo do dia 22 de abril, de pedir um basta. “Acabou, porra”, disse em referência à operação da Polícia Federal de ontem que mirou em sua base de apoio nas redes, como blogueiros, empresários e parlamentares.

Na ocasião em abril, o titular da Educação afirmou que, por ele, “botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF”. A declaração rendeu convocação feita pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news no STF que investiga ofensas a ministros da Corte, para que Weintraub preste depoimento na Polícia Federal. Em resposta, o ministro da Justiça, André Mendonça, apresentou habeas corpus contra a decisão. Já Salles falou na reunião de “ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas” ambientais, aproveitando o momento da crise do novo coronavírus.

No domingo, Bolsonaro publicou em sua rede social o artigo 28 da Lei da Abuso de Autoridade, 13.869/2019, que determina pena de detenção para aquele que “divulgar gravação ou trecho de gravação sem relação com a prova que se pretenda produzir, expondo a intimidade ou a vida privada ou ferindo a honra ou a imagem do investigado ou acusado: detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.” O sigilo do vídeo foi levantado pelo decano na sexta, 22, dois dias antes.