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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro dá nota 7 a primeiro ano de mandato

Vera Magalhães

Em entrevista exibida na madrugada desta segunda-feira no programa Poder em Foco, parceria do SBT com o site Poder 360,  Jair Bolsonaro deu nota 7 ao seu primeiro ano de governo, e disse esperar chegar a um 8 no segundo ano de mandato. Admitiu que faltou “articulação com alguns setores da sociedade”, reconheceu que tem formação estatizante, por ser militar, mas que “as pessoas evoluem”. Afirmou que deu carta branca a Paulo Guedes ao juntar 4 ministérios em sua pasta.

A entrevista, com uma hora de duração, não abordou em nenhum momento a investigação que envolve Flávio Bolsonaro, filho do presidente, em acusações como a prática de “rachadinha” em seu gabinete quando era deputado estadual do Rio.

Bolsonaro disse que Lula é “carta fora do baralho”, e é “criticado e vaiado” nas andanças que tem feito pelo Brasil. Para ele, o rival “não é mais cabo eleitoral para ninguém”.

Na entrevista, Bolsonaro reafirmou seus valores conservadores, de defesa de Deus e da família. Defendeu seus auxiliares mais polêmicos. Disse que a Cultura tem de defender os interesses da maioria, e não de “minorias isoladas”. “Ninguém está perseguindo as minorias, só não queremos que as minorias ditem as regras para nós, maioria”, afirmou. Para ele, “botar na escola ideologia de gênero é um crime” e “um pai quer que um filho vá jogar futebol e uma filha vá ser professora, advogada, o que for”.

O presidente disse que seu ministério tem uma “aprovação nunca vista”, reafirmou que ele é técnico, a despeito de claras indicações ideológicas, e afirmou que a eles cabe serem os jogadores, enquanto ele é o técnico.

Bolsonaro confirmou o projeto de privatizar estatais. Colocou no pacote de empresas que serão privatizadas os Correios, mas disse que está “fora de cogitação” vender os bancos públicos. Quanto à Petrobras, admitiu a privatização de algumas subsidiárias. Reconheceu a dificuldade de privatizar a Eletrobrás e afirmou que ela deve ser vendida “por partes”. “Sem privatizar não tem como investir, você entra em colapso”, afirmou. Afirmou que a privatização de uma “parte razoável” das empresas fará com que se a “esquerda voltar ao poder” não tenha como usá-las para se perpetuar no poder por meio de corrupção.

Ele voltou a criticar a imprensa, admitiu que às vezes “escorrega” em algumas declarações, disse ser vítima de fake news e reclamou de episódios como o de que mantinha funcionária fantasma em seu gabinete na Câmara. No final, Bolsonaro agradeceu a Deus e aos que votaram nele.