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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro de ‘borduna’ nas mãos

Equipe BR Político

O presidente Jair Bolsonaro ofereceu, na terça-feira, 3, no Palácio da Alvorada, um café da manhã que durou 1h30 com a Folha, em que tratou dos principais temas — e polêmicas, é claro — que estão rondando o Planalto nos últimos tempos. Uma linha comum nas declarações indica Bolsonaro pensando cada vez mais em 2022 e em tirar do caminho alguns dos possíveis e mais fortes adversários no pleito. Veja abaixo quais foram as declarações de maior destaque feitas pelo presidente no encontro:

O presidente da República, Jair Bolsonaro, é visto em cerimônia no Palácio do Planalto

Foto: Adriano Machado/Reuters

2022
Na avaliação de Bolsonaro, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), não tem chances em uma eventual candidatura à Presidência em 2022. É uma “ejaculação precoce”, considerou. Segundo o presidente, o mais indicado para o tucano seria pensar “talvez” somente nas eleições de 2026. “Ele não tem apoio popular”, avaliou. Bolsonaro afirmou ainda que está disposto a concorrer à reeleição. “Pretendo sim, se estiver bem lá”, disse. No BRPolítico, você viu que Bolsonaro tem tentado minar a candidatura de Doria com algumas “cascas de banana”.

MAIA
Sobre outro possível concorrente ao próximo pleito presidencial, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), Bolsonaro disse que os dois têm uma relação de “altos e baixos”. A resposta foi dada enquanto o chefe do Executivo fazia um gesto de ondas com a mão.

SUPERMINISTROS
“Chucro” e “ingênuo”, foi assim que Bolsonaro descreveu o ministro da Economia, Paulo Guedes e da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, respectivamente, quando chegaram ao governo. Guedes foi citado no contexto sobre a relação do presidente com Moro, desgastada nas últimas semanas. Na avaliação do presidente, o nome de Moro não passaria hoje no Senado em uma indicação ao STF.

PF
O motivo das cotoveladas de Bolsonaro em Moro também foi abordada na conversa. O presidente afirmou que o comando da PF “está lá há muito tempo”, por isso precisa dar uma “arejada” e chamou de “babaquice” a reação de integrantes da corporação às declarações dele sobre trocas em superintendências e na diretoria-geral. Segundo Bolsonaro, apesar de sua insatisfação, não há, por ora, nenhuma definição sobre prazo de troca na PF.

SACANAGEM?
Apesar de já ter sido substituída por outras crises, Bolsonaro afirmou que declarações polêmicas recentes, como a que tratou da morte do pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, na época da ditadura, são reações ao que chamou de “sacanagem” contra ele. Colocando-se em um papel de vítima, o presidente afirmou que apesar do que diz ter sofrido, não tomou nenhuma medida excepcional. “Se eu levantar a borduna, todo mundo vai atrás de mim e eu não fiz isso ainda”.