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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro diz que áudio de Queiroz é ‘bobo’

Vera Magalhães

Jair Bolsonaro procurou minimizar a conversa, captada em áudio de junho divulgado pelo jornal O Globo, entre Fabrício Queiroz e um interlocutor, em que o ex-assessor da família dá o caminho das pedras para obter cargos ligados ao senador Flávio Bolsonaro. “Sobre o Queiroz, alguém tem que ir atrás dele com o que ele falou. E outra, é um áudio bobo: tem fila na porta do Flávio. Se tivesse fila todo mundo saberia”, minimizou o presidente.

Foi a segunda vez que Bolsonaro comentou o tema. Na anterior, disse que ele cuida da sua vida, e Queiroz da dele, mas demonstrou desconforto, pois disse que se não perguntassem assuntos relativos à viagem encerraria a entrevista.

Desta vez, Bolsonaro disse que o ex-assessor e amigo é quem tem de se explicar, e que a Justiça já está cuidando do assunto –embora as investigações estejam paralisadas por duas decisões do STF. “Não tenho nada a ver com esse caso. Ele é meu amigo desde 1985, meu soldado, mas desde desse problema não falo mais com ele. Ele que se explique, se ele é inocente ou culpado”, disse o presidente na China.

O presidente ainda aventou a possibilidade de Queiroz ter sido vítima de um “amigo da onça”, que o gravou e passou a conversa adiante. Nas manifestações sobre o assunto, tanto Bolsonaro quanto Flávio e seu advogado têm sempre um tom apaziguador, nunca de crítica a Fabrício Queiroz. Já o ex-assessor, ao ser ouvido sobre o áudio, deixou escapar que ainda mantém parte da influência do passado, ao dizer que, tendo trabalhado por tantos anos com tantos políticos, é natural que conserve seus contatos.