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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Em discurso conturbado, Bolsonaro diz que Brasil ‘tem que deixar de ser País de maricas’

Equipe BR Político

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Em meio à ameaça de uma segunda onda da pandemia do coronavírus no mundo, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil “tem que deixar de ser País de maricas” e enfrentar a doença nesta terça-feira, 10, em um discurso confuso no lançamento de um plano de retomada do turismo no País em que abordou diversos assuntos incluindo sua costumaz crítica às medidas de combate à pandemia.

O presidente Jair Bolsonaro em discurso nesta terça

O presidente Jair Bolsonaro em discurso nesta terça Foto: Reprodução/TV BrasilGov

Bolsonaro começou afirmando novamente que a pandemia “foi superdimensionada” para chegar à fala de que as medidas para evitar a transmissão do vírus fazem do Brasil um “País de maricas”. O presidente criticou o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), a quem tenta fazer oposição com o apoio de Celso Russomanno (Republicanos) na eleição municipal. “Vendo prefeito mandar soldar porta de loja em São Paulo. Algemar mulher na praia de biquíni é uma covardia, uma patifaria”, disse.

“Novas pesquisas ainda não comprovadas oficialmente, mas estudos avançados têm mostrado que não chega a 20% o número de óbitos pelo covid, o resto foram outras causas. E nós aqui numa onda mundial fechamos tudo”, disse, sem explicar de que autoria seriam os supostos estudos de que fala. “E agora estão nos ameaçando com uma segunda onda. Tem que enfrentar, porra. E digo mais, como chefe de Estado tenho que tomar decisões que não me deixaram tomar não sei por que cargas d’água.”

“Tudo agora é pandemia. Tem que acabar com esse negócio. Lamento os mortos. Todos nós vamos morrer um dia, não adianta fugir disso. Tem que deixar de ser um país de maricas”, disse.

Em um discurso atropelado no evento, o presidente começou reclamando das taxas cobradas para a entrada e estadia em Fernando de Noronha. Depois, mudou o assunto para o seu projeto de transformar Angra dos Reis em uma “Cancún”, que nunca saiu do discurso. Decidiu falar também de seu cartão corporativo da Presidência sem motivo aparente e deu um cavalo de pau para fazer sua pregação recorrente de crítica às medidas de combate à pandemia e contenção da transmissão do coronavírus.

O presidente não abordou, no entanto, o imbróglio com a suspensão dos testes da Coronavac, que comemorou na manhã de hoje antes da divulgação da informação de que o voluntário que foi a óbito teria cometido suicídio e o caso não estaria relacionado com o imunizante.

‘Tem que ter pólvora’

Bolsonaro fez uma ameaça ao presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, pela promessa de implicar sanções econômicas ao Brasil caso o País não atue mais firmemente para combater o desmatamento na Amazônia. Ainda sem reconhecer a vitória do democrata, chamou Biden de “grande candidato a chefia de Estado” e afirmou que uma solução “apenas pela diplomacia não dá”. “Depois que acabar a saliva tem que ter pólvora. Não precisa nem usar a pólvora, mas tem que saber que tem”.

“Assistimos há pouco um grande candidato a chefia de Estado dizendo que, se eu não apagar o fogo da Amazônia, ele vai levantar barreiras comerciais contra o Brasil”, disse.

Fraude eleitoral

No leque de assuntos que abordou, o presidente também escolheu falar sobre fraude no sistema eleitoral, também sem apresentar evidências. “Não temos um sistema sólido de votação no Brasil, que é passível de fraude sim. Que tudo pode mudar no futuro com fraude. Eu entendo que só me elegi presidente porque tive muito voto”, afirmou.

Depois, tentou criticar os esforços recentes de desafetos seus para a criação de uma “frente ampla” para 2022. “Lá vem a turminha aí falar ‘queremos um centro, nem ódio pra cá nem ódio pra lá’. Ódio é coisa de marica, porra!”. “A minha vida aqui é uma desgraça, é problema o tempo todo, não tenho paz para absolutamente nada”, disse. “A cadeira está à disposição”, afirmou em outro momento.

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