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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro diz que ‘forças nada ocultas’ o ‘açoitam’

Vera Magalhães

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Jair Bolsonaro citou a frase erroneamente atribuída a Jânio Quadros em sua carta de renúncia à Presidência em 1961 em uma postagem em sua conta no Twitter nesta segunda-feira, 8. “Forças nada ocultas, apoiadas por parte da mídia, açoitam o residente da República das mais variadas formas para deslegitimá-lo ou atrapalhar a governança. Com fé em Deus e no povo seguirei meu destino de melhor servir ao meu país”, escreveu o presidente.

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro Foto: Dida Sampaio/Estadão

A postagem fez parte de um fio em que Bolsonaro atribui aos governadores e prefeitos a total responsabilidade pelo avanço da covid-19. “Lembro à Nação que, por decisão do STF, as ações de combate à pandemia (fechamento do comércio e quarentena, p.ex.) ficaram sob total responsabilidade dos governadores e dos prefeitos”, escreveu, antes de adaptar a frase de Jânio aos dias atuais.

A iniciativa do presidente para procurar se dissociar da crise veio no fim de semana após sua decisão de retardar o anúncio do balanço de dados diários da pandemia, para evitar os telejornais da noite, e da retirada do ar, pelo Ministério da Saúde, de uma série de estatísticas referentes à covid-19.
Apesar da preocupação de se desvencilhar de responsabilidade, Bolsonaro faz questão de propagandear ações do governo federal. “Nosso governo alocou centenas de bilhões de reais não só para combater o vírus, bem como para evitar o desemprego. Cada mês pago do auxílio emergencial de R$ 600,00 corresponde a despesa na ordem de R$ 40 bilhões para a União”, escreveu.
Na verdade, a carta-renúncia de Jânio não fala em forças ocultas, mas em “forças terríveis”. “Sinto-me, porém, esmagado. Forças terríveis levantam-se contra mim e me intrigam ou infamam, até com a desculpa de colaboração”, disse o então presidente, antes de deixar a Presidência e deflagrar a instabilidade política que culminaria no golpe militar de 1964.

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