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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro diz que Moro ‘não está fazendo nada’ para o ajudar

Equipe BR Político

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A tensão causada pela pandemia do novo coronavírus tem alimentado vigorosamente a usina de crises do governo Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto. Depois de bater de frente com as recomendações de isolamento do próprio ministro da Saúde, que tem sido elogiado pelo comando na área, o presidente Jair Bolsonaro decidiu, em sua última empreitada, atacar o ministro da Justiça, Sérgio Moro

No final de semana, Bolsonaro reclamou a interlocutores que Moro é “egoísta” e não está atuando para defender as suas posições contrárias às medidas restritivas dos Estados e municípios para controlar a disseminação da doença. O presidente afirmou que o ministro “só pensa nele” e “não está fazendo nada” para ajudar o governo na batalha que trava com os governadores.

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro Sérgio Moro

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro Sérgio Moro Foto: Gabriela Biló / Estadão

Nem a queda acentuada dos índices de popularidade do presidente desde que começou a defender a manutenção da economia em detrimento de medidas para conter a disseminação do vírus e o insucesso de seu último ataque ao ministro foram capazes de proteger Moro, um dos pilares da popularidade do presidente, de suas alfinetadas. No último atentado de Bolsonaro contra o ministro, quando o presidente cogitou tirar a pasta da segurança pública de Moro, críticas vindas de sua própria base de apoio fizeram o presidente mudar de ideia.

Desta vez, Bolsonaro reclama de estar desassistido juridicamente, segundo apurou o Estadão. Moro, que tem se isentado de abraçar o discurso de Bolsonaro diminuindo a gravidade da pandemia, escreveu nesta segunda-feira, 30, no Twitter: “Prudência no momento é fundamental” junto a um artigo do ministro do STF Luiz Fux publicado no jornal O Globo, que faz um apelo aos magistrados dizendo que “é hora de ouvir a Ciência.” 

O presidente tem tentado, nos últimos dias, elaborar decretos que impeçam governadores e prefeitos de fechar estabelecimentos. Autoridades da Justiça, incluindo ministros do STF têm reafirmado que tais decretos não poderão ter valor e quando publicados, deverão ser derrubados. Em sua última fala sobre o assunto, Bolsonaro afirmou que pretende publicar um decreto para “liberar toda e qualquer profissão” a trabalhar. Auxiliares jurídicos têm alertado o presidente que as decisões podem acarretar uma série de ações judiciais questionando as medidas e tentado convencê-lo que chegar a um consenso com governadores e prefeitos é mais eficaz.

Para Bolsonaro, Moro deveria ajudar o governo na disputa jurídica, segundo relatos ao Estadão. Em sua concepção, o ministro, ao não buscar auxiliar o governo fora dos temas diretamente relacionados à sua pasta, atua somente no que lhe dá capital político.

Em grupos de WhatsApp bolsonaristas já circula uma montagem que mostra o ministro da Justiça em três fotos. Na primeira, Moro está com uma máscara na boca, na segunda, nos olhos, e na terceira, duas máscaras tapam os ouvidos do ministro.