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por Marcelo de Moraes

Bolsonaro diz que vacina ‘não é uma questão de Justiça’

Equipe BR Político

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Diante da possibilidade de judicialização da gestão da futura vacina contra o novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro mandou nesta segunda, 26, seu recado ao Supremo Tribunal Federal. “Eu entendo que isso não é uma questão de Justiça, isso é questão de saúde, acima de tudo. Não pode um juiz decidir se você vai ou não tomar a vacina, isso não existe”, afirmou Bolsonaro a seus apoiadores no Palácio da Alvorada. “Nós queremos é buscar solução para o caso. Pelo que tudo indica, todo mundo diz que a vacina que menos demorou até hoje foram quatro anos, não sei por que correr em cima dela.”

O presidente Jair Bolsonaro em evento nesta segunda

O presidente Jair Bolsonaro em evento nesta segunda Foto: Reprodução/TV Brasil

O chefe do Planalto não falou, no entanto, se o governo vai conscientizar o brasileiro da importância de imunização contra a covid-19 por meio de campanhas educativas, independente do que ele defende enquanto pessoa física. Na semana passada, Bolsonaro não só desautorizou um acordo anunciado pelo ministro Eduardo Pazuello com o governo de São Paulo para a compra do imunizante produzido na China em parceria com o Instituto Butantan, como também fez propaganda contra vacinação da população.

Como você leu mais cedo aqui no BRP em nosso relatório semanal Fique de Olho, cientistas contestam o movimento antivacina que colocou a disputa política muito à frente do chamado “tempo da ciência”, antecipando a disputa eleitoral de 2022.

“O que a gente tem que fazer é não querer correr, é não querer atropelar, não querer comprar desta ou daquela sem nenhuma comprovação ainda”, declarou o presidente, ao fazer referência ao anúncio sobre a vacina de Oxford.

O presidente do Supremo, Luiz Fux, disse em uma live nesta sexta-feira, 23, que já esperava a chegada de ações no tribunal sobre o tema. O ministro demonstrou estar de acordo com a necessidade de debate sobre alguns dos fundamentos que estão em discussão na sociedade.

“Podem escrever, haverá uma judicialização, que eu acho que é necessária, sobre essa questão da vacinação. Não só a liberdade individual como também os pré-requisitos para se adotar uma vacina. Não estou adiantando ponto de vista nenhum, estou apenas dizendo que essa judicialização será importante”, disse.

A fala de Fux foi dada em um momento no qual o ministro dizia que pretende ver o Supremo “respeitado”. “Eu não quero protagonismo judicial do Supremo, interferindo em matérias que não são da sua competência, à luz da separação dos poderes”, disse, antes de falar sobre a judicialização da vacinação.