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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro entre Guedes e o palanque

Vera Magalhães

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A agenda de Jair Bolsonaro nesta segunda-feira, 17, traduz de forma cristalina o atual dilema do governo entre a gastança desenfreada e a austeridade fiscal.

Presidente Jair Bolsonaro durante visita ao Parque Nacional da Serra da Capivara. Foto: Alan Santos/PR

O presidente começa a semana em Sergipe, onde inaugura uma usina termelétrica. O Nordeste tem sido um dos palcos primordiais da fase populista de Bolsonaro, catapultada pela recuperação de sua popularidade graças ao auxílio emergencial concedido durante a pandemia.

Ele ainda vai voltar à região nesta semana: na sexta-feira faz nova rodada de inaugurações no Rio Grande do Norte, acompanhado dos ministros potiguares, Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e Fábio Faria (Comunicações), dois dos responsáveis pela guinada pragmática do presidente.

O sinal claro da dicotomia existente no governo vem na sequência da agenda: de volta a Brasília, Bolsonaro tem duas reuniões com Paulo Guedes nesta tarde, uma a sós e outra com o titular da Casa Civil, Braga Netto.

Conforme relatei detalhadamente no nosso relatório Fique de Olho desta semana, estão em gestação no governo medidas legislativas igualmente contraditórias: uma Medida Provisória que deve autorizar gastos em obras de infraestrutura, por meio da abertura de créditos extraordinários, no valor de até R$ 5 bilhões, e uma Proposta de Emenda à Constituição retomando a ideia de estabelecer gatilhos de contenção de gastos para tentar evitar a implosão do teto.