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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro está construindo seu impeachment sozinho, diz FT

Equipe BR Político

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O jornal inglês Financial Times, afirmou em editorial que o presidente Jair Bolsonaro está se “autodestruindo” e cavando seu próprio impeachment. Em um texto que analisa as jogadas do presidente durante a crise até a demissão do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, a publicação considerou que a saída do governo do ex-magistrado, descrito como uma figura respeitada, e suas acusações feitas contra Bolsonaro desencadearam a pior crise política do Brasil desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016. 

O editorial do jornal britânico Financial Times sobre a crise do governo Bolsonaro

O editorial do jornal britânico Financial Times sobre a crise do governo Bolsonaro Foto: Reprodução/Financial Times

“Há muito tempo afeiçoado a teorias da conspiração, Bolsonaro acusou repetidamente os oponentes de conspirar para derrubá-lo. A realidade é que o presidente do Brasil está construindo o seu impeachment sozinho”, conclui o texto.

O jornal faz uma análise dramática do prospecto para o Brasil neste ano: “Há muito tempo apostador, Bolsonaro fez apostas cada vez maiores no negacionismo da seriedade do coronavírus. O Brasil testou tão pouco que os números oficiais não são confiáveis, mas mesmo esses mostram infecções se espalhando rapidamente. O pico ainda está por vir e o sistema público de saúde já está com dificuldades. A economia dependente de commodities é igualmente vulnerável; o FMI prevê que o PIB encolherá 5,3% este ano, muito pior que a África subsaariana”, diz a publicação.

No texto, o conselho editorial do FT compara a dinâmica da administração do governo brasileiro ao romance gótico O Médico e o Monstro, de Robert Stevenson. Segundo a publicação, os ministros moderados e técnicos do governo estavam segurando a administração e alimentando as expectativas de avanço de reformas, mas agora, o “monstro” teria assumido.

“O sucesso da reforma da Previdência provocou otimismo dos investidores de que os ‘adultos da sala’, como são conhecidos os membros mais moderados do governo Bolsonaro, poderiam avançar nas reformas, apesar das perigosas excentricidades do presidente. Agora, como na novela gótica de Stevenson, Hyde (o monstro) assumiu. Qualquer sentimento positivo persistente evaporou-se em meio a uma crise tríplice: um aprofundamento da emergência de saúde pública, profunda recessão econômica e calamidade política”, teoriza a publicação.