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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro fala em cortar salários de parlamentares por auxílio emergencial, mas conta não fecha

Gustavo Zucchi

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No momento em que tenta se aproximar do Congresso Nacional, em especial do Centrão, Jair Bolsonaro voltou a levantar uma proposta polêmica e que, além de pouca viabilidade política, não resolveria o problema. O presidente jogou nas costas dos parlamentares um possível aumento do auxílio emergencial. Em troca, bastaria que deputados e senadores decidissem cortar os próprios salários.  “Se tivermos um programa para diminuir salários de parlamentares, tudo bem, eu pago até R$ 1 mil por mês, não tem problema nenhum”, disse Bolsonaro ao sair da Alvorada nesta terça-feira, 9.

Só que a conta do presidente não fecha. Sem considerar o aumento irreal proposto por Bolsonaro, o auxílio emergencial custa R$ 50 bilhões mensais, entregando R$ 600 para mais de 57 milhões de pessoas. Já o custo total do salário dos congressistas é de aproximadamente R$ 220 milhões anuais, como destacou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“Todos os salários [de congressistas] são R$ 220 milhões, e o custo de dois meses da renda emergencial é de aproximadamente R$ 100 bilhões. Tem uma certa diferença entre um valor e outro”, disse em coletiva, ao ser questionado sobre a ideia de Bolsonaro. Maia ainda destacou que, caso os Três Poderes decidam, a ideia de uma redução coletiva dos vencimentos pode ser discutida.

Ou seja, em sua ânsia de se colocar como anti-político, Bolsonaro joga no ar uma ideia que não tem nenhuma entrada no meio político. Nem mesmo entre o Centrão, mais novo aliado do Planalto, e cujos líderes estão dispostos a defender as ideias do presidente.

Um corte nos salários de deputados e senadores chegou a ser especulado logo no início da pandemia. Na ocasião, parlamentares ouvidos pelo BRP argumentaram justamente que a medida traria um impacto financeiro praticamente irrelevante diante dos gastos da pandemia e que serviria mais como “exemplo” para a sociedade. Já cortes em todo o funcionalismo público, que traria um impacto financeiro mais robusto, não é considerada para este momento da pandemia.