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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro longe dos palanques: será?

Vera Magalhães

O general Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência, afirmou em entrevista ao Estadão neste sábado que Jair Bolsonaro não vai colocar a “mão nessa cumbuca”, numa referência às eleições. Segundo ele, diante da grande possibilidade de que a Aliança pelo Brasil não seja criada a tempo de disputar as eleições, a tendência é que Bolsonaro fique afastado dos palanques municipais.

Será? O presidente não tem se mostrado, ao longo de seu primeiro ano de mandato, alguém disposto a suprimir paixões políticas e agir com isenção diante de disputas. Sua propensão, sempre, é clamar contra a esquerda e travar o combate a seus expoentes. Por que seria diferente justamente nas eleições, que ainda que tenham questões municipais como fator mais decisivo, de alguma forma vão testar, dois anos depois, a força da onda conservadora que em 2018 levou à eleição do próprio Bolsonaro, mudou o perfil do Congresso e chegou também a governos de vários Estados?

Ramos relata que a intervenção de Bolsonaro em pleitos municipais poderia desagradar os partidos no Congresso e dificultar a já complexa articulação política no Legislativo. A janela para aprovação de projetos em 2020 é curta: no segundo semestre, as eleições devem esvaziar a Câmara e o Senado. Ficar neutro seria uma forma de Bolsonaro garantir a tramitação de pautas de seu interesse nos seis primeiros meses de mandato.

Na teoria, tudo certo. Mas o estilo do presidente, neste primeiro ano, se impôs sobre a lógica política em todos os momentos.