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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro mantém ida à Índia

Vera Magalhães

Mesmo com o cancelamento da participação no Fórum Econômico Mundial, em Davos, no dia 20, Jair Bolsonaro manteve a ida à Índia para uma agenda oficial, me confirmou ontem o porta-voz da Presidência, general Octávio do Rêgo Barros.

O presidente alegou questões de segurança para não ir a Davos, que fica na Suíça, mas aparentemente não acha que elas sejam relevantes para ir à Índia, fronteiriça com países do Oriente Médio como o Paquistão. Segundo fontes do governo com as quais eu conversei, o presidente teme que Davos, por concentrar chefes de Estado, empresários, investidores e outras autoridades de países ricos se torne um alvo de ataques terroristas –além de protestos– por conta do clima de acirramento entre Estados Unidos e países como Irã e Iraque.

Reportagem da Folha esmiúça nesta sexta-feira a agenda de Bolsonaro na Índia. Ele desembarca naquele país no dia 25 e será convidado de honra da cerimônia do Dia da República. Pretende assinar uma série de acordos para facilitação de investimentos indianos no Brasil.

Nesta sexta, a Coluna do Estadão mostra que foi recebida com certo alívio nos meios empresariais e financeiros a não ida de Bolsonaro a Davos. O entendimento é que isso reduz as chances de alguma declaração mal calculada do presidente tisnar ainda mais a imagem do Brasil no exterior ou dificultar o fechamento de acordos de interesse do Brasil.

Havia ainda o risco de constrangimento diante de protestos aguardados contra a política ambiental do Brasil, um ano depois de o presidente prometer, naquele fórum, compatibilizar preservação e desenvolvimento, mas entregar, em seu primeiro ano de mandato, um recorde de devastação e incêndios na Amazônia e uma gestão catastrófica do desastre com óleo no litoral brasileiro.