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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro na ONU repercute na mídia internacional

Equipe BR Político

O discurso de Jair Bolsonaro na 74ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, nesta terça-feira, 24, repercutiu nos principais jornais do mundo. A fala do presidente da República foi marcada por ataques à Cuba e Venezuela, além de menções à soberania do País sobre a Amazônia e à questão dos povos indígenas.

O The Guardian classificou o discurso de Bolsonaro como “combativo”, destacando ainda que a fala do presidente sobre a questão ambiental foi “insana” e “conspiratória”. O jornal inglês também ressaltou que se esperava uma posição mais branda na cúpula da ONU, uma vez que o Brasil luta para “reparar sua imagem no exterior” após a crise da Amazônia. O periódico também chamou de “controversa” a opinião do chefe de Estado sobre os povos indígenas.

O New York Times colocou Bolsonaro no mesmo balaio dos presidentes Abdel Fattah el-Sisi, do Egito, e Recep Tayyip Erdogan, da Turquia, afirmando que os três, além de terem discursado no mesmo dia que o presidente norte-americano, Donald Trump, possuem uma postura similar à do líder americano. O jornal também apontou a contradição entre a fala do presidente da República sobre sua suposta política de tolerância zero com crimes ambientais e os dados apresentados pelo Inpe, que registraram mais de 40 mil focos de incêndio na região nos primeiros oito meses do ano.

O Washington Post deu destaque às falas de Bolsonaro sobre o índios, ressaltando que a maioria dos povos indígenas no Brasil não endossa o discurso do presidente. O jornal ainda deu espaço para a declaração da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que classificou o discurso do presidente como sendo “recheado de meias verdades e negação de verdades inteiras”.

Já o espanhol El País afirmou que as tendências autoritárias de Bolsonaro, bem como sua afeição pela ditadura e sua política ambiental, impediram a criação de pontes tanto com investidores quanto com outros líderes mundiais para além de Trump. Ainda de acordo com o diário, o presidente do Brasil está “longe de tentar romper o isolamento internacional que seus nove meses de mandato se submeteram ao Brasil”.