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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro omite Maia em elogio ao Congresso

Vera Magalhães

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Um dia depois de dizer que seria impossível governar o Brasil caso seu veto que mantinha a restrição a reajustes salarias de servidores até o fim de 2021 fosse derrubado, Jair Bolsonaro agradeceu “setores” do Congresso pela “sociedade” com o governo, mas não fez nenhum agradecimento especial ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pela articulação que garantiu a manutenção do veto na Casa.

O presidente Jair Bolsonaro ao lado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia

O presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia Foto: Dida Sampaio/Estadão

Os senadores haviam acabado de votar pela derrubada do veto na quarta-feira quando Maia, antevendo a derrota do governo também na Câmara, decidiu adiar a votação para o dia seguinte. A manobra foi fundamental para que o governo tivesse tempo de perceber que, de novo, estava desarticulado no Congresso, isso apesar da “sociedade” com Centrão e afins.

Foi graças ao trabalho do presidente da Câmara e aos apelos de Paulo Guedes e ministros como o general Luiz Ramos que as bancadas foram sendo convencidas a votar pela permanência do veto, sob o argumento principal de que abrir a cancela dos reajustes de servidores inviabilizaria, por exemplo, a continuidade da prorrogação do auxílio emergencial.

Na noite de quinta-feira, depois de a Câmara ter salvado a barra do governo, apenas o general Ramos telefonou para Maia agradecendo a parceria.

Nesta sexta-feira, em Mossoró (RN), Bolsonaro fez apenas a referência genérica à “sociedade no bom sentido” com o parlamento. “Com o time que nós temos, com os nossos sócios, no bom sentido, no Congresso Nacional, nós atingiremos os nossos objetivos”, disse. O autoelogio omite o fato de que na véspera ele estava desesperado ante a possibilidade de a derrota se confirmar, e exclui a importância da atuação do presidente da Câmara na costura.