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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro pede ‘patriotismo’ a donos de supermercados?

Alexandra Martins

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Um dia após sua equipe econômica apresentar a reforma administrativa poupando militares, juízes e parlamentares, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta, 4, que vai conversar com o associação de supermercados para pedir “patriotismo” contra o aumento dos preços da cesta básica durante esta pandemia do novo coronavírus, enquanto o agronegócio brasileiro é apontado como o vilão da disparada dos preços por darem prioridade ao mercado externo. Os principais produtos dessa lista são o arroz, feijão, leite, carne e óleo de soja.

Jair Bolsonaro, presidente da República Foto: Gabriela Biló/Estadão

“Está subindo arroz, feijão? Só para vocês saberem já conversei com intermediários, vou conversar logo mais com a associação de supermercados”, disse o presidente. “Estou conversando para ver se os produtos da cesta básica aí… estou pedindo um sacrifício, patriotismo para os grandes donos de supermercados para manter na menor margem de lucro”, afirmou ele em Registro (SP).

Sem citar quais “intermediários” já teriam sido contatados, Bolsonaro indicou temor por aumento da inflação. “Não é no grito, ninguém vai dar canetada em lugar nenhum… porque veio o auxílio emergencial, o pessoal começou a gastar um pouco mais, muito papel na praça, a inflação vem”, declarou. “A melhor maneira de controlar a economia é não interferindo. Porque se interferir, dar canetada, não dá certo”, prosseguiu.

Em nota divulgada na quinta, 3, a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), que representa as 27 associações estaduais afiliadas, também demonstrou seus temores com relação à preferência do agronegócio brasileiro. “Conforme apuramos, isso se deve ao aumento das exportações destes produtos e sua matéria-prima e a diminuição das importações desses itens, motivadas pela mudança na taxa de câmbio que provocou a valorização do dólar frente ao real. Somando-se a isso a política fiscal de incentivo às exportações, e o crescimento da demanda interna impulsionado pelo auxílio emergencial do governo federal”, escreveu.

A Abras ainda faz um “alerta” para “o desequilíbrio entre a oferta e a demanda no mercado interno para evitar transtornos no abastecimento da população, principalmente em momento de pandemia do novo Coronavírus (Covid-19)”. Diz manter contato com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e representantes de todos os elos da cadeia de abastecimento. 

O economista Guilherme Moreira, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor/Fipe, também entende a subida de preços dos itens da cesta básica como reflexo da preferência do setor pelo mercado externo. “É que, entre vender dentro do país e mandar para o exterior, o produtor brasileiro tem escolhido a exportação, porque está ganhando mais dinheiro”, disse ele ao Jornal Nacional de ontem.

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