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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro pede que apoiadores invadam e filmem hospitais de campanha

Equipe BR Político

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Durante transmissão ao vivo nas redes sociais na noite de quinta-feira, 11, o presidente Jair Bolsonaro fez um pedido no mínimo descabido a seus apoiadores: que “arranjem uma maneira de entrar e filmar” os hospitais de campanha construídos para tratar pacientes infectados pela covid-19. O pedido do chefe do Executivo ignora regras de acesso a esses espaços, já que a entrada sem autorização é proibida. Além de todos os riscos de contaminação.

Foto: Reprodução/Facebook

O plano de Bolsonaro é que seus “espiões particulares” investiguem se os leitos de emergência estão livres ou ocupados.

“Pode ser que eu esteja equivocado, mas na totalidade ou em grande parte ninguém perdeu a vida por falta de respirador ou leito de UTI. Pode ser que tenha acontecido um caso ou outro. Seria bom você, na ponta da linha, tem um hospital de campanha aí perto de você, um hospital público, arranja uma maneira de entrar e filmar. Muita gente tá fazendo isso, mas mais gente tem que fazer para mostrar se os leitos estão ocupados ou não, se os gastos são compatíveis ou não. Isso ajuda. Tudo o que chega para mim nas redes sociais a gente faz um filtro e eu encaminho para a Polícia Federal ou Abin (Agência Brasileira de Inteligência)”, disse.

Na semana passada, com celulares apontados para os leitos, deputados estaduais de São Paulo causaram tumulto ao invadir as instalações do hospital de campanha no Anhembi. A administração municipal afirmou, ainda, que os deputados Coronel Telhada (PP), Leticia Aguiar (PSL) e Sargento Neri (Avante) agrediram pacientes e funcionários “verbal e moralmente”.

O pedido de Bolsonaro foi feito em meio a críticas a governadores e prefeitos que implementaram medidas de isolamento social. O presidente afirmou que há dezenas de relatos de mortes por coronavírus de pessoas que já tinham problemas sérios de saúde e a família, até o momento do óbito, não sabia que havia contraído o vírus. “Isso não é uma pessoa ou outra. São dezenas de casos por dia que chegam nesse sentido. Não sei o que acontece. O que querem ganhar com isso. Tem um ganho político, só pode ser isso, aproveitando as pessoas que falecem para ter um ganho político e culpar o governo federal”, declarou Bolsonaro.

Em nota, os parlamentares citados afirmam conjuntamente que “é falsa a informação de que deputados agrediram pacientes e funcionários de hospital de campanha em SP”. “Os deputados que compõem o PDO (Parlamentares em Defesa do Orçamento) realizam um trabalho sério e inédito na ALESP, o de fiscalização em grupo, in loco e de súbito, ação indiscutivelmente validada pela lei”, diz o texto. Eles dizem tratar-se de uma “mentira que pode ser comprovada por inúmeros vídeos realizados durante todo o tempo em que os parlamentares estiveram no local”.

O PDO é formado pelos deputados Sargento Neri (Avante), Márcio Nakashima (PDT), Coronel Telhada (PP), Adriana Borgo (PROS), Leticia Aguiar (PSL), Coronel Nishikawa (PSL), Ed Thomas (PSB), Conte Lopes (PP), Tenente Coimbra (PSL), Edna Macedo (Republicanos) e Delegado Bruno Lima (PSL).