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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro ‘pouco fez’ pelo combate à corrupção, diz chefe da Lava Jato no Rio

Equipe BR Político

Para o procurador Eduardo El Hage, coordenador da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, existe um movimento de enfraquecimento da operação de combate à corrupção, alimentado, em parte, por decisões do Supremo e também do poder Executivo. Em entrevista à Folha, Hage critica medidas como o envio de crimes de corrupção para a Justiça eleitoral, a suspensão das investigações que tinham por base relatórios do Coaf (atual UIF) e a interferência do presidente Jair Bolsonaro no comando da PF no Rio de Janeiro. Para o coordenador, o Senado deveria “conter certos atos’ do Supremo e o governo Bolsonaro deveria ser mais ativo em apoair pautas de combate à corrupção.

Hage afirma que “é difícil” afirmar que o STF desempenha um papel moderador atualmente, já que o Supremo emite sinais “contraditórios”. “O órgão que considera que a inversão da ordem das alegações finais gera nulidade do processo, o que sequer está escrito na lei, é o mesmo que pede 600 mil relatórios de inteligência financeira num processo concreto que está julgando um caso num recurso extraordinário”, disse, em referência ao envio de dados fiscais sigilosos do Coaf a respeito de 600 mil pessoas à Corte, na semana passada. Nesse sentido, diz, o Senado deveria agir como “freio e contrapeso”, para conter certos atos do Tribunal.

“O próprio presidente Bolsonaro, que foi eleito com uma bandeira de combate à corrupção e à impunidade, muito pouco fez nesse primeiro ano de governo nessa pauta. Ele poderia estar fazendo movimentações no Congresso pela prisão (após condenação) em segunda instância”, diz o procurador. Sobre o governo federal, Hage também diz que a ida do ex-juiz da Lava Jato e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, para o governo Bolsonaro foi prejudicial à operação. “Foi uma escolha legítima, lícita. Ele (Moro) é totalmente livre para fazer essa escolha, mas acabou associando a imagem da operação com o governo Bolsonaro, que não tem nada a ver”.