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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro promete austeridade, mas bolsonaristas vendem gasto

Vera Magalhães

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No mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro promoveu uma mis-èn-scene para jurar fidelidade ao teto de gastos federais e à responsabilidade fiscal, um dos deputados mais próximos a ele, Hélio Bolsonaro, o Hélio Negão (PSL-RJ), usou suas redes sociais para anunciar, com direito a uma foto do presidente com chapéu de vaqueiro, que o auxílio emergencial pode ser prorrogado até março do ano que vem.

O deputado Hélio Negão (PSL-RJ) e o presidente Jair Bolsonaro

O deputado Hélio Negão (PSL-RJ) e o presidente Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução/Instagram

“O governo federal já analisa prorrogar o auxílio emergencial até março do ano que vem”, diz ele na postagem.

A prorrogação do auxílio, em valor inferior aos atuais R$ 600, é uma demanda dos políticos, mas o Ministério da Economia olha o pleito com preocupação. Ainda não há fontes de recursos para garanti-la, e a equipe de Paulo Guedes preferiria substituir o auxílio por um programa novo de transferência de renda, mas que depende da aprovação do imposto sobre transações digitais para ter receitas que o garantam.

Ou seja: no cenário atual, Hélio está vendendo terreno na lua. E mais: com um discurso na contramão do teatro de Bolsonaro, o que aumenta a desconfiança de analistas e do mercado de que o compromisso fiscalista do presidente é apenas encenação.