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por Marcelo de Moraes

Bolsonaro reforça discurso de ‘fé e família’ nas eleições

Vera Magalhães

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O presidente Jair Bolsonaro dobrou a aposta nas candidaturas de Marcello Crivella (RJ) e Celso Russomanno (SP), ambos do Republicanos, e fez questão de associar a eleição municipal à religião ao comparar a política ao corpo humano e dizer que, quanto mais a gente se cercar do que chamou de “células boas”, melhor seria para a saúde.

“Há interesse para um projeto para além de atender o município, obviamente, de a gente se cercar cada vez mais de boas células, preocupadas com os valores familiares, com a família, com a fé, respeitando a religião de cada um”, afirmou, sem no entanto explicar de que forma esse tipo de associação religiosa permitiria “atender o município”.

Ele recebeu Marcelo Crivella no Alvorada na sexta-feira para gravar vídeos de campanha. Reforçou a aposta de que ele e Russomanno irão para o segundo turno e vencerão as eleições, inclusive fazendo questão de usar o pronome “nós” ao falar desse prognóstico. “Ele [Crivella] tá aí no segundo lugar nas pesquisas lá, mas a gente vai… Eu acho que vai ter segundo turno no Rio como em São Paulo e a gente vai ganhar nos dois municípios”, disse.

Não é o que as pesquisas mostram. Crivella enfrenta dificuldades para ir ao segundo turno, mesmo estando à frente de duas máquinas poderosas, a da Universal e a da prefeitura. E Russomanno começou a descrever nas últimas semanas a trajetória de desidratação das intenções de votos que foi a tônica de suas campanhas anteriores, em 2012 e 2016.

Candidatos apoiados por Bolsonaro, aliás, enfrentam dificuldades em todo o País, como mostram as mais recentes pesquisas.

A aproximação cada vez maior às igrejas evangélicas, como a Universal, que comanda o Republicanos (partido que recebeu os filhos de Bolsonaro) deve fazer com que a campanha à reeleição de Bolsonaro, em 2022, seja ainda mais pautada por assuntos ligados a costumes e à religião.

Temas como benefícios fiscais e perdão a dívidas de igrejas, além da promessa de indicar um evangélico para a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal já têm ganhado espaço central na ação do presidente. Recentemente ele passou a falar em “cristofobia” para se referir às críticas que opositores de várias vertentes fazem à sua administração, mesmo aquelas que nada têm a ver com aspectos religiosos.