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por Marcelo de Moraes

Bolsonaro ‘segue roteiro de Trump’ contra China, governadores e mídia

Equipe BR Político

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O professor de Relações Internacionais da FGV-SP, Oliver Stuenkel, relembrou nesta quinta, 22, sua análise feita lá atrás sobre como o presidente Jair Bolsonaro segue o mesmo roteiro de Donald Trump na tentativa de se impôr no processo eleitoral. Para o pesquisador, não há nada de errático na estratégia do brasileiro contra o governador João Doria e a China, à luz do recente episódio da compra da vacina chinesa, mas, sim, de disciplina para responsabilizar três atores pelos problemas dentro de casa: seu principal parceiro econômico, os governadores e a mídia.

O presidente Jair Bolsonaro e o presidente americano Donald Trump

O presidente Jair Bolsonaro e o presidente americano Donald Trump. Foto: Kevin Lamarque/Reuters

Todas as três instituições (o país asiático, governos e imprensa) são combatidas pelo chefe do Planalto, mas ontem sua posição contra vacina chinesa, desenvolvida em parceria com o Instituto Butantã, ganhou novos contornos, a ponto de desautorizar seu ministro de Saúde e a própria Anvisa, bem como a opinião pública. Segundo pesquisa da renomada revista científica Nature, mais de 85,3% dos brasileiros afirmam que vão se vacinar quando o imunizante surgir, ao contrário do que Bolsonaro defendeu ontem em seus disparos contra Doria e qualquer outra vacina anti-covid-19.

“Trump responsabilizará 3 atores pela crise: 1) A China, por ter mentido sobre (ou deliberadamente causado) a pandemia 2) Os governadores, pelas medidas de distanciamento 3) A mídia. Dirá que os 3 são os principais culpados pela crise e caberá a eles consertarem o estrago”, escreveu o professor em abril.

Na reedição bolsonarista do modus Trump, faltaria o Brasil exigir da China reparações financeiras, uma vez que o norte-americano assim o fez, tal como pretendeu fazer com o México pelo pagamento da construção do muro entre os dois países vizinhos.

 

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