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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro segura ajuda aos Estados

Vera Magalhães

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Hoje faz duas semanas que a Câmara aprovou a ajuda de R$ 125 bilhões a Estados e municípios como parte dos esforços para combater a pandemia do novo coronavírus, e até agora Jair Bolsonaro não sanciona a lei que permite o repasse dos recursos. Secretários estaduais de Fazenda já encaminharam carta ao governo federal solicitando a sanção da medida, mas Bolsonaro segura a proposta devido, em parte, ao impasse sobre vetar ou não a exceção para que várias categorias profissionais de servidores possam ter reajuste salarial no próximo ano e meio.

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro Foto: Gabriela Biló/Estadão

O presidente prometeu publicamente a Paulo Guedes, ao vivo em transmissão de vídeo, vetar esse dispositivo incluído por senadores e deputados na proposta do governo federal. Desde então, no entanto, a ausência da sanção e do veto a esse ponto já permitiu que o governo do Distrito Federal consumasse um aumento dos policiais militares que estava prometido anteriormente.

Guedes empenhou grande parte de seu prestígio público ao exigir esse veto. Bolsonaro, ao prometer acatá-lo, disse que o ministro mandava na economia. A demora em cumprir a promessa fragiliza o “posto Ipiranga” num momento em que o governo já enfrenta múltiplas crises.

Além disso, e primordialmente, o atraso na sanção prejudica Estados e municípios já no limite de seus recursos para enfrentar a pandemia. Muitos deles não têm dinheiro para investir em respiradores e equipamentos de segurança para profissionais de saúde e pacientes de covid-19.

Bolsonaro marcou uma reunião com governadores na quinta-feira. A expectativa é que tente alguma reaproximação com os Estados depois de meses de enfrentamento público pelo fato de o presidente não chancelar a política de distanciamento social no combate à pandemia. Os Estados e prefeituras esperam, no entanto, que a sanção da ajuda se dê antes disso.