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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro sobre cacique Raoni: ‘Não fala pelo índios’

Equipe BR Político

O presidente Jair Bolsonaro voltou a questionar o papel de liderança do cacique Raoni Metuktire, de 89 anos. “Raoni fala outra língua. Não fala a nossa língua. É uma pessoa que está com uma certa idade avançada, vamos respeitá-lo com cidadão. Mas ele não fala pelos índios. Cada tribo tem um cacique”, disse Bolsonaro nesta quinta-feira, 26. Citado pelo presidente em seu discurso na 74ª Assembleia-Geral da ONU, o cacique da tribo caiapó esteve na Câmara dos Deputados na quarta-feira, 25, em que fez sua réplica e afirmou que Bolsonaro não é uma liderança, e que “precisa sair para o bem de todos”.

Na comitiva presidencial que viajou para Nova York, Bolsonaro levou a indígena de direita Ysani Kalapalo, do Parque Indígena do Xingu. “Levei uma índia lá (para a Assembleia Geral), a Ysani Kalapalo, não existe mais o monopólio do Raoni”, repetiu o presidente nesta manhã. No entanto, a presença de Ysani no grupo foi questionada em um documento elaborado por 16 povos do Xingu, que afirmaram que a indígena não os representa.  

Segundo o Broadcast Político, Bolsonaro também citou hoje a carta de índios produtores rurais, que leu em seu discurso na ONU e que, segundo ele, é muito importante e não recebeu destaque na mídia. A carta endossa a suposta liderança de Ysani, para que ela possa “trazer à tona o atual quadro de mentiras propagado pela mídia nacional e internacional, que insistem em fazer dos povos indígenas do Brasil uma reserva de mercado sem fim”. 

O presidente já havia feito uma afirmação semelhante com relação aos povos indígenas em geral, em 2015, quando ainda era deputado federal. “O índio não fala a nossa língua, não tem dinheiro, é um pobre coitado que está sendo tratado como animal de zoológico”, disse. 

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