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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro sobre depoimento de ministro à PF: ‘O Ramos se equivocou’

Equipe BR Político

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Negando, mais uma vez, que tenha citado a Polícia Federal durante reunião ministerial no dia 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta manhã de quarta-feira, 13, que está disposto a divulgar partes do vídeo do encontro e que se o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, afirmou o contrário, ele se equivocou.

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro Foto: Dida Sampaio/Estadão

Ontem, em depoimento à PF, os ministro Ramos e o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, disseram que o chefe do Executivo citou o nome da corporação na reunião. “O Ramos se equivocou. Mas como é reunião, eu tenho o vídeo. O Ramos, se ele falou isso, se equivocou”, disse Bolsonaro.

“Olha só, tudo que trata do inquérito da minha parte está liberado (divulgar), não tem sigilo de nada”, disse. Ressaltou, contudo, que partes sobre assuntos “comerciais, relações internacionais e questões pessoais” não podem ser liberadas, disse em frente ao Palácio da Alvorada.

Bolsonaro afirmou que ia divulgar o vídeo, mas quando Moro falou da reunião, preferiu segurar o material para deixar o ex-ministro continuar falando. “Ele está me acusando. Se eu mostro agora, ele não ia falar nada”, argumentou. Bolsonaro se disse incomodado com “mentiras” relacionados ao inquérito e sugeriu que a imprensa vai “cair do cavalo”.

“Esse vídeo era para ser destruído como sempre eu faço. Pega a cena que interessa e destrói. Estava na iminência de destruir quando apareceu o depoimento do Moro. Eu (falei) não destruir, se eu destruo iam ficar martelando em cima de mim a vida toda que eu interferi na PF na reunião de ministros. Deixei o vídeo”, disse

Bolsonaro citou que irá conferir com a Advocacia-Geral da União (AGU) sobre como será a divulgação do vídeo e afirmou que por ele divulgaria até os “palavrões” que “sempre” fala.

Ontem o decano do STF, ministro Celso de Mello, decidiu fixar um prazo de 48 horas para que Moro, o procurador-geral da República, Augusto Aras, e a AGU se manifestem sobre o levantamento do sigilo, total ou parcial, do vídeo da reunião. Celso é o relator do inquérito que investiga as declarações feitas por Moro contra Bolsonaro.