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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro usa live para tratar de desmatamento, mas evita apontar ‘culpados’

Gustavo Zucchi

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A eleição de Joe Biden nos Estados Unidos colocou Jair Bolsonaro na parede na questão ambiental. E, conforme prometido, o presidente brasileiro tirou a transmissão ao vivo em suas redes sociais desta quinta-feira para tentar se defender sobre o assunto. Do jeito típico, o presidente evitou atacar diretamente outros países, em especial os que criticam sua política ambiental. Mas, ao lado do ministro da Justiça, André Mendonça, e do delegado da PF-AM, Alexandre Saraiva, o presidente levantou especulações sobre “interesses” em deixar o Brasil isolado.

“Não vamos acusar país A, B ou C de crime por madeira ilegal, mas empresas sim”, disse o presidente. Nos últimos dias, Bolsonaro disse que iria revelar quais países se beneficiam do desmatamento, o que não aconteceu durante a transmissão. Entretanto, sem citar quais nações têm esse interesse, levantou a vontade de enfraquecer a economia brasileira. “Há acusações de outros países nos visando enfraquecer comercialmente. Intenção é nos deixar isolados na locomotiva da nossa economia, que é o agronegócio”, afirmou.

Entretanto, Bolsonaro mostrou que deve tentar sinalizar a esses países que tem combatido o desmatamento. Falou em criar “barreiras” em rios para evitar a passagem de madeira ilegal. Pediu ainda “ajuda” de outros países para evitar a importação do produto.

Dois outros assuntos sobre o tema foram citadas pelo presidente em sua “live”. O primeiro é o projeto de lei que trata da regularização fundiária. Originário de uma MP que caducou, o PL está esquecido na gaveta da Câmara dos Deputados. O presidente tentou vender que o texto ajudaria no combate ao desmatamento. E que tentará retomar esse assunto em 2021. A partir de dezembro, será possível editar uma nova MP sobre o tema.

Voltou a citar ainda a ideia que estava sendo debatida no Conselho da Amazônia, sobre desapropriação de terras que desmatarem ilegalmente. O tema foi motivo de irritação entre Bolsonaro e o vice-presidente Hamilton Mourão, responsável pelo conselho. Bolsonaro reafirmou que “jamais” irá desapropriar terras por crime ambiental.

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