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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro: ‘Vai faltar comida nos quartéis a partir de setembro’

Equipe BR Político

Nem mesmo o “casamento” presidencial entre um ex-capitão e um general da reserva do Exército, o presidente Jair Bolsonaro e o vice Hamilton Mourão, respectivamente, foi capaz de evitar que as Forças Armadas passassem por aperto no orçamento. Tanto é, que, com muita naturalidade e sem corar, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, 21, que “vai faltar comida nos quartéis a partir de setembro”. A declaração foi feita na saída do Palácio da Alvorada, quando o presidente comentava sobre a impossibilidade de deslocar homens das Forças Armadas de Brasília para ajudar a conter as queimadas que estão atingindo áreas da floresta amazônica. “Estamos desde ontem conversando com o ministro da Defesa e do Meio Ambiente pra ver como a gente pode ajudar. A Justiça também. A Justiça pode mandar 40 homens da Força Nacional pra lá, é uma gota d’água no oceano. Forças Armadas, podemos usar a partir de amanhã unidades da região. Não temos como descolar daqui pra lá. Vai faltar comida nos quartéis a partir de setembro. É a situação em que nós nos encontramos”, disse. Em maio, quando a crise no governo era entre militares e olavistas, o alto comando das Forças Armadas foi comunicado de que o contingenciamento na Defesa que inicialmente seria de 21% subiu para 44%, o equivalente a R$ 5,8 bilhões dos R$ 13,1 bilhões do orçamento da área.

Publicado por Jair Messias Bolsonaro em Quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Assim como em outras pastas, o Ministério da Defesa trabalha com a expectativa de que haja uma recuperação da economia substancial a ponto de desbloquear a verba congelada. A crise financeira nos quartéis ganha contornos mais críticos quando somada à grave situação de emprego no País. E, com isso, o Exército poderá ser obrigado a dispensar pelo menos 25 mil dos 80 mil recrutas no início de outubro. Se isso acontecer, será a antecipação da primeira baixa, que estava prevista para dezembro, de acordo com o Estadão. Em entrevista também nesta quarta, o vice-presidente discordou que seja um contrassenso que um governo que tem seu berço no Exército deixe as Forças Armadas “à míngua”. Segundo ele, os militares estão enfrentando a mesma situação do restante do País. “O dilema de qualquer economia é o canhão ou manteiga. Ou nós vamos botar dinheiro na saúde, na educação, na infraestrutura, ou nós vamos ter as Forças Armadas mais poderosas do mundo e a turma passando fome. E esta opção não é a melhor. As Forças Armadas têm de ter o que é justo e necessário”, afirmou Mourão.

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