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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Os vetos de Bolsonaro

Cassia Miranda

O presidente Jair Bolsonaro decidiu adotar todas as sugestões de vetos ao projeto de Abuso de Autoridade feitas pelos ministros da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, da Advocacia-Geral da União, André Mendonça, da Controladoria-Geral da União, Wagner Rosário, e da Secretaria-Geral, Jorge Oliveira e vai vetar 36 dos 44 pontos do projeto, afirmou na manhã desta quinta-feira, 5.

“O espírito do projeto vai ser mantido, mas 36 emendas serão apresentadas. Nós queremos combater o abuso de autoridade, mas não podemos botar um remédio excessivamente forte, de modo que venha a matar o paciente”, disse o presidente em discurso no Palácio do Planalto. Ontem à noite, em post no Twitter, ele já havia prometido “preservar a essência do projeto”.

O prazo para que o presidente se manifeste sobre os itens que pretende vetar acaba hoje. “Acolhi as 36. Não estou afrontando o Parlamento, não quero fazer média com a população nem ceder ao clamor de parte de muitos que pedem o ‘veta tudo’. Não sou radical”, afirmou. Na publicação feita na noite de quarta, Bolsonaro afirmou que “a palavra final do projeto ficará sob a responsabilidade do Congresso democraticamente eleito”. Isso porque, os vetos precisam ainda ser analisados pelos parlamentares, que tem o poder de derrubá-los.

O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto

Foto: Adriano Machado/Reuters

Se Bolsonaro realmente cumprir com o anunciado, e vetar a maioria dos pontos do projeto, terá jogado para torcida –apesar de negar–, que por meio das redes sociais, pedia que o presidente agisse assim. Com isso, ele passa para o Congresso toda a pressão.

*Atualizada às 12h03