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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro visita deputada após destituí-la

Vera Magalhães

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Livre do novo coronavírus, de acordo com o exame que divulgou neste sábado, Jair Bolsonaro saiu para um passeio de moto. Fez uma visita à deputada Bia Kicis, que é de Brasília, a quem destituiu da vice-liderança do governo nesta semana.

Bia, que havia dado entrevista dizendo que Bolsonaro poderia ter sido mais “delicado”, comunicando a ela antes as razões para a troca no posto, reagiu com entusiasmo à visita “surpresa”, segundo ela, do presidente.

A troca na vice-liderança veio depois da aprovação da PEC do novo Fundeb pela Câmara. O governo, que tentou alterar a proposta e, depois, fez de tudo para adiá-la, acabou derrotado. Bia fez parte do pequeno grupo de bolsonaristas-raiz que votaram contra a ampliação de verbas para a educação básica em todo o País, seguindo a orientação inicial do governo.

Acontece que essa estratégia sofreu um cavalo de pau no dia seguinte, com o governo passando a tratar como vitória a própria derrota no Congresso. Para isso, foi necessário afastar uma dos apenas 7 deputados que votaram contra a medida, para sustentar a narrativa falsa de que ela não seguiu a orientação do governo.

A mudança também atende à nova diretriz de cada vez mais entregar a articulação política aos “profissionais” do Centrão. O PP, partido que mais simboliza o grupo que integra governos de diferentes tendências ideológicas, pode indicar o novo líder do governo. Um dos cotados para o posto do Major Vitor Hugo (GO), outro bolsonarista fiel, é o ex-ministro de Michel Temer Ricardo Barros.