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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro volta a defender volta ao trabalho

Vera Magalhães

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Se antecipando ao pronunciamento em rede nacional de rádio e TV previsto para esta quarta-feira, Jair Bolsonaro concedeu entrevista ao programa Brasil Urgente, do apresentador José Luiz Datena, na TV Bandeirantes. Na entrevista, de improviso e por telefone, Bolsonaro voltou a defender a retomada gradual das pessoas a suas atividades profissionais.

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro Foto: Dida Sampaio/Estadão

Para ele, atividade essencial é toda aquela que um pai exerça para levar “comida para casa”. Afirmou que quem tem menos de 60 não tem com o que se preocupar, e que estamos na “chuva”, na qual alguns vão se “afogar”, mas que o jeito seria ter todo o cuidado com os idosos e os demais voltarem a suas vidas normalmente.

O presidente afirmou que distanciamento social não pode ser prisão nem toque de recolher para todos. Que não há nada demais que as pessoas pratiquem atividades físicas ao ar livre, e que, depois dessas atividades ou do trabalho, é só ter cuidado, lavar a mão, lavar as roupas etc.

Bolsonaro voltou a enaltecer as virtudes da cloroquina e da hidroxicloroquina. Criticou o governador João Doria Jr. e alguns outros por manterem as orientações de fechamento de setores da economia, e voltou a cogitar a possibilidade de editar um decreto (que também pode ser um projeto de lei, de acordo com ele) restabelecendo o funcionamento de alguns setores. O presidente manifestou preocupação com a possibilidade de essa medida ser derrubada no Congresso ou na Justiça.

Questionado por Datena se ele cogitou, de fato, demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o presidente deu uma gargalhada sonora e desconversou: “Um beijo, Datena!”. Depois, acabou falando: disse que um subordinado não pode questionar o chefe na TV, assim como não é razoável que um chefe imponha sua opinião. Meio a contragosto, afirmou que as diferenças (que disse serem “normais” em momentos tensos, e acontecerem até entre marido e mulher) foram resolvidas nas últimas conversas, mas não foi assertivo quanto à permanência do ministro.

Aliás, a entrevista coincidiu com o horário da coletiva de Mandetta, sendo que Bolsonaro já tinha o pronunciamento marcado para dali a algumas horas. Na sua fala, o ministro da Saúde foi muito cauteloso quanto ao uso de cloroquina, fazendo sérias restrições a sua indicação indiscriminada, e defendeu a manutenção da estratégia de distanciamento social, na contramão do presidente.

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