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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Bomba’ anunciada por Bolsonaro era contra Hélio Negão?

Equipe BR Político

Desde o início, as demonstrações de força do presidente Jair Bolsonaro em relação ao terceiro escalão do governo, a chefia da PF no Rio, pareceram desmedidas. Em reportagem publicada nesta sexta-feira, 6, a revista Veja aponta que há uma explicação para a guerra travada por Bolsonaro contra a PF, que colocou em xeque a permanência no governo do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro: uma investigação contra o deputado Hélio Negão (PSL-RJ), amigo íntimo do presidente.

O deputado Hélio Negão (PSL-RJ) e o presidente Jair Bolsonaro

O deputado Hélio Negão (PSL-RJ) e o presidente Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução/Instagram

Recentemente, em conversa com jornalistas na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro deu a dica. Afirmou que uma bomba estava “para estourar” em “uma pessoa importante que está do meu lado”. O recado era para a PF do Rio, pilotada por Ricardo Saadi. O tiro, no entanto, atingiu o diretor-geral, Maurício Valeixo, indicação de Moro. Na PF, fala-se que uma ala da polícia mirou em Negão justamente para colocar o superintendente na mira do Planalto.

Negão é cotado dentro do PSL para disputar a prefeitura do Rio no ano que vem. As suspeitas lançadas pela PF sobre ele seriam por ações cometidas há mais de 15 anos. O próprio deputado teria alertado Bolsonaro sobre a investigação. E Bolsonaro, com a mania de perseguição que lhe é característica, viu no caso uma tentativa de intimidação da PF contra seu núcleo mais próximo.

O contra-ataque, destemperado e impulsivo, no entanto, gerou uma fritura pública de Moro, o ministro mais popular da Esplanada. Houve até quem cogitasse que a saída dele governo estava próxima, o que seria um desastre maior para o governo, do que investigações por pecados do passado de um deputado do mesmo partido do presidente.

Ainda sobre as amizades dos Bolsonaro, depois de O Globo revelar que Queiroz demitiu a ex-mulher do miliciano Adriano Nóbrega para tentar blindar Flávio, a revista Época de hoje mostra que há uma antiga amizade entre o advogado do filho de Bolsonaro e do miliciano. Procurados rela reportagem, os dois não responderam perguntas sobre a amizade.